A nomeação de Alejandro Gertz Manero como novo embaixador do México no Reino Unido, feita pela presidente Claudia Sheinbaum no ano passado, levanta questões sobre a discrepância entre seus bens luxuosos e a filosofia do partido Morena, que se apresenta como a "partido dos pobres".

Recentemente, Gertz Manero revelou um impressionante patrimônio que inclui 10 imóveis, sete veículos (entre eles dois Rolls-Royces), uma coleção de joias avaliada em mais de US$ 1 milhão e uma coleção de arte que vale cerca de US$ 500 mil. O embaixador também possui contas bancárias em diversos países, incluindo Estados Unidos, Espanha e Suíça, além de um imóvel nos EUA avaliado em mais de US$ 1 milhão e um apartamento em Madrid adquirido por € 1 milhão.

Contradições entre riqueza e ideais de austeridade

A opulência de Gertz Manero contrasta com a imagem pública do partido Morena, que historicamente se associa à austeridade, conforme apontou Viri Ríos, especialista em políticas públicas. "O que foi criado é uma contradição entre a narrativa do Morena e a realidade de seus membros, que incluem políticos de diversos níveis de riqueza", afirmou.

Andrés Manuel López Obrador, fundador do Morena e ex-presidente do México, era conhecido por seu estilo de vida simples e frequentemente falava sobre a necessidade de um governo pobre se os cidadãos fossem pobres. O embaixador, no entanto, não é o primeiro político do partido a enfrentar críticas por seu gosto por luxo. Casos anteriores incluíram o filho do ex-presidente, que foi flagrado em um hotel caro no Japão.

Impacto nas próximas eleições

Ríos acredita que a indignação gerada por essas situações não se baseia apenas na riqueza em si, mas na forma como o estilo de vida luxuoso de alguns políticos se desvia dos salários que recebem. Essa desconexão pode ter consequências nas próximas eleições, e o Morena, segundo Ríos, cometeu um erro estratégico ao associar riqueza à falta de moralidade.