Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, revela que a urbanização tem alterado os hábitos de acasalamento do pássaro-cetim-grande (Chlamydera nuchalis). Machos dessa espécie, que habitam áreas urbanas, têm incorporado materiais antropogênicos, como plásticos, vidros e fios metálicos, em suas estruturas de corte, conhecidas como bowers.

Os pesquisadores observaram que esses materiais artificiais substituem elementos naturais, como frutos e gravetos, por serem mais visualmente impactantes para as fêmeas. Em uma análise realizada em Queensland, na Austrália, constatou-se que os ninhos urbanos apresentam, em média, 4,74 vezes mais decorações do que os encontrados em ambientes rurais.

Os objetos coletados nas cidades são geralmente maiores, com cores mais vibrantes e maior diversidade cromática. A preferência por itens como plástico vermelho e vidro verde se explica pelo fato de que esses materiais oferecem um contraste visual que facilita a localização do ninho pelas fêmeas.

Além disso, os resíduos urbanos são mais duráveis, permanecendo por mais tempo na natureza em comparação aos recursos orgânicos que se deterioram rapidamente. Um experimento revelou que machos de áreas rurais também preferem materiais produzidos pelo homem quando disponíveis.

Esse comportamento sugere que os pássaros em habitats preservados usam recursos naturais apenas pela falta de opções mais atrativas. Eles demonstraram ser 10,2 vezes mais propensos a selecionar decorações de origem urbana em testes controlados.

Embora essa adaptação permita que os machos criem exibições mais chamativas com menor custo energético, a pesquisa alerta para riscos potenciais. O acúmulo de fios e plásticos nos ninhos pode resultar em emaranhamentos, colocando em risco tanto adultos quanto filhotes. Assim, as consequências a longo prazo do uso desses materiais na saúde das populações de pássaros-cetim-grande ainda precisam ser mais bem compreendidas.