Pedidos de medidas protetivas a mulheres cresce no Amapá O Amapá registrou 492 pedidos de medidas protetivas a mulheres vítimas de violência entre janeiro e maio de 2026. O número representa um aumento de 303% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo um levantamento da Defensoria Pública do Estado (DPE-AP) a pedido do g1. Em 2025, eram 112 pedidos de medidas protetivas, representando 8,7% dos atendimentos da Defensoria.

Neste ano, o índice subiu para 30,2%, tornando-se a principal demanda jurídica da instituição. Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do AP 🔍 As medidas protetivas são garantias previstas na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Elas podem ser solicitadas pela vítima em delegacias especializadas ou diretamente ao juiz e servem para proteger mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

Para a defensora pública Camila Araújo, do Núcleo de Defesa e Promoção aos Direitos da Mulher da DPE-AP, o aumento está ligado à maior conscientização das vítimas e ao fortalecimento das instituições de proteção. Violência contra mulher: como pedir ajuda Ela afirma que os números também refletem a redução da subnotificação, já que mais mulheres estão procurando apoio nos órgãos de segurança. “Esses dados não são nada favoráveis às mulheres e demonstram o aumento da violência em suas diversas formas.

Apesar disso, também revelam a redução da subnotificação, pois mais mulheres estão buscando os órgãos responsáveis para garantir proteção institucional", afirma. O levantamento mostra que a maioria das vítimas vive em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com dificuldades estruturais que tornam mais difícil romper o ciclo da violência. Os principais perfis das vítimas incluem: mulheres com renda entre 1 e 2 salários mínimos; moradia precária ou instável; mães sobrecarregadas com filhos; dependência de programas sociais.

Camila Araújo ressalta que, em alguns casos, a própria família desestimula a vítima a procurar ajuda, o que dificulta a busca por proteção institucional. “Isso acaba sendo um obstáculo. Muitas vezes, no próprio 'seio' familiar, essa mulher é desestimulada e desencorajada a buscar essa proteção e alternativas para sair desse ciclo.

É uma questão cultural que ainda persegue as mulheres e a impeça de buscar um fim", pontua. O estudo aponta ainda outros obstáculos para o acesso à justiça, como dependência financeira, medo do agressor, falta de apoio familiar, dificuldade de transporte e desconhecimento da rede de proteção. Coragem para denunciar Por nove anos, a medida protetiva tem garantido a segurança de Maria* (nome fictício) que viveu um relacionamento marcado por violência, ameaças e perseguições.

Após o fim da relação, que durou 13 anos, ela passou a sofrer agressões e intimidações do ex-companheiro, além do medo constante de perder a guarda da filha. Sem conseguir enfrentar a situação sozinha, ela buscou apoio de pessoas próximas e de profissionais da assistência social até reunir forças para denunciar o caso. “Criei coragem com a ajuda de serviço social e enfim fui na delegacia pedir uma medida protetiva.

Com a medida protetiva, ele se afastou e não me perseguiu mais.