Uma pesquisa realizada por 16 organizações da sociedade civil, incluindo a Fundação Roberto Marinho, a Unesco e o Unicef, revelou que quase 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (7) e destaca a urgência de iniciativas voltadas para a escolarização desse público.

Dados alarmantes sobre a educação no Brasil

Dentre os 64 milhões de brasileiros que não finalizaram o ensino básico, mais de 44 milhões não completaram o ensino fundamental e aproximadamente 19 milhões não terminaram o ensino médio. Apesar desses números significativos, menos de 2% dessa população tem acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Objetivos da nova rede de organizações

A pesquisa foi acompanhada pelo lançamento de uma nova rede que visa propor melhorias ao novo Plano Nacional de Educação, que estabelece metas de qualidade para o ensino na próxima década. O propósito é garantir que mais brasileiros possam completar sua formação educacional e que a EJA atue como uma ponte para um mercado de trabalho mais qualificado.

Rebeca Otero, coordenadora de educação da Unesco no Brasil, enfatizou a importância de formar cidadãos para o mercado de trabalho. “Nós precisamos formar para o trabalho, para que a pessoa tenha emprego, possa ser absorvida. Que o país possa se desenvolver, prosperar. Então, é todo um ciclo que nós temos que observar”, afirmou Otero, destacando que, apesar de já existirem políticas nesse sentido, ainda há muito a ser feito.

Impactos econômicos da falta de educação

Além das consequências individuais, a falta de escolaridade traz um custo econômico significativo para o Brasil. O estudo indica que, se essa população completasse a educação básica, o país poderia gerar até R$ 66 bilhões em renda extra por ano, o que representa cerca de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, destacou a relevância da educação de jovens e adultos como uma questão central nas discussões sobre o futuro do país. “Essa rede é capaz de mostrar para a sociedade brasileira e para o poder público que a educação de jovens e adultos não é um assunto menor quando falamos de desafios da educação”, afirmou Alegria.