O queijo artesanal produzido pela família Lamim, localizado na zona rural de Virgínia, no Sul de Minas Gerais, obteve destaque internacional ao conquistar o principal prêmio da ExpoQueijo Brasil – Araxá International Cheese Awards. Este reconhecimento é resultado de um processo que se inicia muito antes da fabricação, envolvendo cuidados diários com os animais, a qualidade do leite e um período de maturação que se estende por nove meses.

Produção e técnica familiar

Fundada há seis anos, a queijaria da família Lamim combina tradição com técnicas modernas, produzindo uma média de 50 quilos de queijo diariamente, o que equivale a aproximadamente 1,5 tonelada mensal. Essa estrutura de produção familiar tem sido aprimorada ao longo dos anos, refletindo o compromisso com a qualidade.

Henrique Lamim, que aprendeu a arte de fazer queijo com seu pai, enfatiza a importância da combinação entre tradição e técnica em sua produção. O leite utilizado é proveniente de vacas da raça Jersey, reconhecidas pela qualidade superior do leite, que requer cuidados especiais em sua alimentação e manejo.

Cuidados essenciais para a qualidade do queijo

A família Lamim conta com o suporte técnico da Emater-MG, que oferece orientações sobre práticas adequadas desde a criação do rebanho até a fabricação dos queijos. A extensionista agropecuária Letícia Basílio ressalta que a qualidade do queijo começa no cuidado com o rebanho. "Não se faz um bom queijo com leite ruim. É preciso ter preocupação com a sanidade do rebanho, com o bem-estar dos animais, com a alimentação e também com todos os cuidados durante a ordenha", explica.

A queijaria oferece queijos com maturação de 30, 60 e 90 dias, além de uma versão especial que é maturada por nove meses, a qual conquistou o prêmio na ExpoQueijo Brasil. Durante esse tempo, as peças são armazenadas em uma sala climatizada a cerca de 14°C, favorecendo o desenvolvimento de microrganismos naturais que conferem ao queijo suas características únicas de sabor, aroma e textura.

Para Henrique, o prêmio é um reconhecimento do esforço da família na produção artesanal. "Foi um sentimento novo na minha vida, algo que a gente agradeceu demais a Deus. É algo que a gente está aprendendo a lidar, novidade", compartilha.

A esposa de Henrique, Paula Lamim, destaca o envolvimento de toda a família no processo, incluindo o filho de cinco anos, que participa ativamente da rotina da propriedade. "É o reflexo da família unida. Nós temos um filho de cinco anos e ele mesmo fala que a gente é uma equipe. Ele adora colar rótulo e medalha no queijo", conta.

Antes de conquistar o título máximo, a queijaria já havia recebido medalhas de bronze e prata em edições anteriores da ExpoQueijo Brasil. A expectativa agora é que esse reconhecimento fortaleça ainda mais a imagem dos queijos artesanais da Serra da Mantiqueira. "Agora é isso: mostrar para o Brasil a Serra da Mantiqueira, os queijos da região, que é fortíssima, e sua qualidade — e, quem sabe, ao mundo", conclui o produtor.