O recrutador de modelos Daniel Siad foi encontrado morto em casa Departamento de Justiça dos EUA Um recrutador de modelos vinculado ao criminoso sexual Jeffrey Epstein foi encontrado morto na última segunda-feira (20/7), em Colombes, no subúrbio a noroeste de Paris. O Ministério Público de Nanterre informou à BBC que o corpo de Daniel Siad, de 69 anos, foi encontrado em sua casa, e que "uma investigação para determinar a causa da morte foi aberta". Uma autópsia será realizada.
O nome de Siad apareceu milhares de vezes nos documentos relacionados ao caso Epstein divulgados pelo governo dos Estados Unidos. Anteriormente, ele havia negado ter qualquer conhecimento sobre os casos envolvendo o financista. Em uma entrevista recente à BBC, Anya (nome fictício usado para preservar sua segurança), uma das vítimas de Epstein, contou que foi Siad quem a apresentou ao bilionário americano.
"Foi uma armadilha completa", afirmou, descrevendo Siad como "um traficante profissional". Em um e-mail enviado a Epstein e divulgado nos documentos do caso, Siad escreveu em inglês — com diversos erros de ortografia: "Nesse corre-corre, me sinto como um pescador: às vezes pesco rápido, outras vezes não pesco nada". Antes da publicação de uma investigação da BBC sobre o caso, em 18 de julho, o advogado de Siad informou que seu cliente não comentaria o assunto.
Em uma entrevista recente à CNN, porém, Siad afirmou que desconhecia os abusos cometidos por Epstein. "Eu confiava nele. Achava que aquele cara era um profissional", declarou.
Agora no g1 'É tarde demais' O próprio Siad foi alvo de várias denúncias na França, incluindo acusações de estupro. A primeira delas foi apresentada em fevereiro. Em diversas entrevistas recentes à imprensa, ele negou ter cometido qualquer crime.
Em maio, ao canal BFMTV, afirmou: "Nunca estuprei ninguém na minha vida". Os advogados da ex-modelo que apresentou a primeira denúncia disseram estar "chocados" com a morte de Siad. "Não temos palavras para descrever a raiva e a tristeza que sentimos", declararam, lamentando que suas clientes "agora serão privadas de um julgamento criminal".
Os advogados afirmaram sentir "uma enorme revolta contra o Ministério Público de Paris", que, segundo eles, "anunciou em fevereiro que abriria uma investigação sobre possíveis cúmplices franceses de Jeffrey Epstein". Eles acusaram a promotoria de uma inação "escandalosa" que, na avaliação deles, "demonstra o desprezo das autoridades públicas pelas vítimas de crimes sexuais, mesmo quando esses crimes estão ligados à rede de tráfico de pessoas criada por Epstein e seus cúmplices". A BBC procurou o Ministério Público para obter um posicionamento.
O caso de Jeffrey Epstein tem repercutido em vários locais do mundo Getty Images Outra ex-modelo que prestou depoimento à polícia em junho como parte da investigação sobre Siad, disse à BBC que a morte dele significa que qualquer informação que ele pudesse ter sobre Epstein agora foi perdida. "Um elo importante da cadeia acaba de desaparecer no ar, sem que sequer tenha havido a oportunidade de recuperar as informações que Daniel Siad poderia ter, já que ele nunca chegou a ser interrogado", afirmou.
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