O rei Zulu da África do Sul, Misuzulu kaZwelithini, manifestou "profundo" arrependimento após a divulgação de um vídeo em que agride verbalmente uma de suas esposas. O vídeo, amplamente compartilhado na quarta-feira, mostra o rei ameaçando agredir fisicamente a rainha Nomzamo Myeni, acusando-a de traição e expressando o desejo de que ela deixasse a casa.

A rainha parece ter sido a responsável pela gravação, permanecendo em silêncio até o final do vídeo, quando comentou: "Esta é a vida que eu levo, dia e noite".

Na sexta-feira, uma declaração do escritório do rei informou que ele reconheceu que a explosão emocional causou "dor" e "vergonha" tanto entre os círculos reais quanto entre o povo Zulu em geral. "É importante esclarecer que as gravações são de natureza histórica e não representam as circunstâncias atuais dentro da Casa Real", acrescentou o comunicado.

Contexto da Controvérsia

No vídeo, o rei Misuzulu critica sua esposa, com quem se casou em novembro do ano passado, por fazer saídas sem sua autorização. "Ela está por aí sem a minha permissão. Quando você é uma esposa, deve pedir permissão. Pelo menos avise seu marido", disse ele à rainha, que é sua terceira esposa.

Após proferir uma série de insultos, o rei revelou que tinha uma namorada à espera dele e declarou: "Quero você fora", ao se retirar do ambiente.

Não está claro quem foi responsável por divulgar o vídeo. A declaração da casa real mencionou que, no dia em que o vídeo vazou, o rei e a rainha estavam recebendo um grupo de políticos em um compromisso oficial.

O comunicado ressaltou que os "dificuldades" retratadas no vídeo foram superadas por "reconciliação" e "reflexão".

Reação Pública e Contexto Social

Considerado o "leão da nação", o rei Zulu é visto como o guardião de tradições ancestrais que colocam o casamento e a poligamia no centro do sucesso real. Embora sua função na África do Sul seja predominantemente cerimonial, ele exerce grande influência e conta com um orçamento anual financiado pelo governo que ultrapassa vários milhões de dólares.

A divulgação do vídeo gerou reações polarizadas nas redes sociais, com alguns acusando o rei de comportamento abusivo e indigno, enquanto outros criticaram a rainha por expor questões privadas publicamente. A jornalista sul-africana Asanda Magaqa comentou que, embora não apoiasse a filmagem de momentos íntimos, compreendia a motivação da rainha. "Nenhuma mulher merece viver assim", escreveu ela na plataforma X.

O vídeo também inclui o rei afirmando que se tornou monarca por meio de feitiçaria. A coroação de Misuzulu ocorreu após um ano de disputas familiares, com alguns membros da realeza contestando sua posição como herdeiro legítimo e alegando que o testamento de seu pai foi falsificado.

A sociedade Zulu é profundamente patriarcal, com as mulheres frequentemente esperadas a se submeterem a normas de gênero tradicionais. A África do Sul registra uma das mais altas taxas de violência contra mulheres do mundo, e no ano passado, o país classificou a violência de gênero como um "desastre nacional".

O casamento do rei com a rainha Myeni foi adiado por meses devido a um escândalo envolvendo sua primeira esposa, a rainha Ntokozo kaMayisela, que tentou impedir a cerimônia, argumentando que seu marido cometia bigamia sem converter seu casamento civil em um casamento tradicional Zulu. O juiz, no entanto, rejeitou a solicitação, afirmando que a rainha kaMayisela havia já concordado com a possibilidade de seu marido ter outras esposas.