No final de julho, um forte terremoto de magnitude 8.8 atingiu a Península de Kamchatka, na Rússia, desencadeando um tsunami que atravessou o Oceano Pacífico. Um satélite avançado da NASA, chamado Surface Water Ocean Topography (SWOT), estava em posição ideal para registrar o evento com detalhes sem precedentes.

De acordo com uma pesquisa publicada na revista The Seismic Record, o satélite capturou a primeira visão de alta resolução e ampla área de um grande tsunami gerado por um terremoto de zona de subducção. Os cientistas se depararam com comportamentos inesperados das ondas, que não se moveram de forma simples, mas apresentaram padrões complexos, interagindo em vastas extensões do Pacífico.

Uma nova perspectiva sobre tsunamis

O terremoto ocorreu em 29 de julho na zona de subducção Kuril-Kamchatka, onde uma placa tectônica é empurrada sob outra. Este evento é considerado o sexto maior terremoto já registrado no mundo desde 1900.

Os pesquisadores combinaram dados do satélite SWOT com medições de boias DART (Deep-ocean Assessment and Reporting of Tsunamis) distribuídas pelo Pacífico, que detectam mudanças sutis no nível do mar durante eventos de tsunami. O autor principal, Angel Ruiz-Angulo, da Universidade da Islândia, ressaltou que o satélite ofereceu uma nova perspectiva: “Pensei nos dados do SWOT como um novo par de óculos”, disse ele.

Desafiando suposições tradicionais

Um dos achados mais surpreendentes do estudo envolve a dispersão das ondas. Tradicionalmente, tsunamis grandes são considerados "não dispersivos", mas os dados do SWOT desafiaram essa noção, indicando que as ondas podem se espalhar e interagir de formas mais complexas do que se imaginava.

Além disso, as observações do tsunami ajudaram a refinar a compreensão sobre o próprio terremoto, sugerindo que a ruptura se estendeu por uma distância maior do que os modelos anteriores previam. O coautor Diego Melgar destacou a importância da combinação de diferentes tipos de dados para entender melhor como grandes terremotos se comportam.

Futuro das previsões de tsunami

Com o avanço da tecnologia de satélites, os pesquisadores esperam que observações como as coletadas pelo SWOT possam um dia ser integradas a sistemas de previsão de tsunamis em tempo real, melhorando a rapidez e a precisão dos alertas para comunidades em risco.