Na última semana, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) obteve um financiamento de US$ 2,65 bilhões com um consórcio de bancos internacionais para cobrir despesas operacionais e investimentos de capital. O acordo foi amplamente apoiado por um sindicato de credores estrangeiros, incluindo Société Générale, First Abu Dhabi Bank, Standard Bank da África do Sul e Absa, enquanto bancos locais, como Banco Fomento de Angola (BFA), Banco Millennium Atlântico e Banco Angolano de Investimentos (BAI), contribuíram com US$ 105 milhões.

Esse financiamento é o mais recente de uma série de acordos que a Sonangol firmou desde o início do ano. Em janeiro, a empresa conseguiu um financiamento de US$ 1,75 bilhões do Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank) para apoiar suas necessidades de capital de giro e operações de comércio de petróleo, seguido por uma emissão de US$ 750 milhões em mercados internacionais.

Desafios financeiros e corrupção sistêmica

Apesar do financiamento substancial, a análise revela fraquezas no modelo de negócios da Sonangol. Embora tenha reportado um lucro líquido de 862,4 bilhões de kwanzas (cerca de US$ 940 milhões) em 2025, sua operação de exploração e produção gerou apenas 97,1 bilhões de kwanzas (US$ 105 milhões) em lucro, devido a altos custos e depreciação de ativos.

Além disso, 53% dos lucros da empresa em 2025 vieram de dividendos de participações em empresas externas, como a Galp Energia em Portugal e o projeto Angola LNG, enquanto a empresa enfrenta uma situação crítica de liquidez, com reservas que cobrem apenas 18% de suas necessidades financeiras imediatas.

Reestruturação e futuro da Sonangol

A Sonangol planeja vender mais de 70 participações em subsidiárias não essenciais e está reestruturando sua dívida para garantir liquidez. O governo angolano concede mais autonomia à empresa, permitindo uma competição mais igualitária com operadores internacionais. O objetivo final é listar até 30% da Sonangol na bolsa, com uma oferta pública inicial (IPO) prevista para 2027.