A Oxfam divulgou um estudo que aponta como os super-ricos estão lucrando tanto com as causas quanto com as consequências do clima.
O estudo destaca que os 8 milhões de pessoas que compõem o 0,1% mais rico do mundo estão investindo significativamente em preparação e recuperação climáticas, um mercado projetado para crescer de US$ 70 bilhões para US$ 92 bilhões por ano até 2029.
Isso dá aos super-ricos um 'dividendo duplo' do clima, incentivando-os a adiar ou interromper ações para resolver o problema, conforme alerta a ONG.
De acordo com a Oxfam, essa situação acentua a desigualdade global, já que as populações menos responsáveis pelo aquecimento global acabam pagando mais caro por alimentos, reparos em casas danificadas por climas extremos ou mudanças de residência.
Investimentos e lucros
A Oxfam identificou 217 corporações que contribuem para o clima ruim ou fazem negócios na economia de adaptação, como fornecimento de equipamentos de refrigeração, barreiras contra inundações, equipamentos de combate a incêndios, transporte, alimentos, seguros e empréstimos.
Estas empresas geraram, em média, US$ 1,8 bilhão no ano passado e pagaram US$ 1 bilhão em dividendos aos acionistas. Seis grandes gestores de ativos, que orientam investidores ricos, estão entre essas corporações e estão fortemente envolvidos em outras delas.
Crescimento econômico e desigualdade
A Oxfam também destaca que crises causadas por climas extremos ou guerra têm tendido a beneficiar as grandes empresas de comércio agrícola dominadas por bilionários, cuja fortuna aumentou em US$ 120 bilhões desde 2020.
Exemplos como a subida de 231% nos preços do cacau após eventos climáticos extremos na África Ocidental mostram como pequenos produtores e consumidores regulares são prejudicados.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.