A senadora Teresa Leitão (PT-PE) iniciou sua gestão como líder do governo no Senado com a reabertura do diálogo com o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Nos últimos dias, os dois se reuniram em duas ocasiões.

Teresa assumiu a liderança em um momento de desgaste nas relações entre o Senado e o Palácio do Planalto. A tensão entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou após a rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) no final de abril.

Expectativa de reaproximação

De acordo com informações obtidas pela CNN, a escolha de Teresa para a liderança é vista como uma tentativa de revitalizar a comunicação entre os dois Poderes. Com seu bom relacionamento com Alcolumbre, há a expectativa de que ocorra uma reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, algo que parlamentares do PT consideram uma das principais missões da nova líder.

Em declaração à CNN, Teresa afirmou que pretende manter a relação entre os dois presidentes de forma “institucional” e que a realização de uma reunião entre eles seria uma “decisão pessoal”.

Minimizando atritos e desafios à frente

Para amenizar os conflitos, a nova líder declarou que não houve uma “ruptura” entre o Planalto e o Senado, ressaltando que o diálogo entre ministros e parlamentares continua. A gestão anterior de Jaques Wagner (PT-BA) já enfrentava dificuldades em sua relação com Alcolumbre.

Teresa foi escolhida para substituir Wagner após investigações da Polícia Federal relacionadas ao caso do Banco Master. A senadora teve sua primeira reunião com Lula em 29 de abril e, no dia seguinte, se encontrou com Alcolumbre.

Durante uma sessão no plenário, Alcolumbre elogiou a capacidade de articulação de Teresa, ressaltando que sua liderança terá uma “missão muito importante” para a interlocução entre os poderes.

No dia 1º de maio, Alcolumbre se reuniu novamente com Teresa e representantes de centrais sindicais para discutir a proposta de fim da escala 6x1, que é uma prioridade para o governo, mas ainda não possui um calendário definido para votação.

Destravar a proposta de redução da jornada de trabalho é outra tarefa importante para a nova líder, segundo Lula. A matéria, no entanto, enfrenta resistência de setores econômicos e está parada no Senado desde o fim de maio.

Teresa defende que a proposta não está parada, mas sim seguindo um “roteiro de debates” antes de ser analisada. A tendência é que a discussão avance após o recesso parlamentar, que se inicia em 18 de julho, embora senadores petistas já admitem que a tramitação só deve ocorrer a partir de agosto.

Além das reuniões com Alcolumbre, Teresa também se encontrou com a bancada do PT para discutir a escolha de um novo líder, com o senador Camilo Santana (PT-CE) sendo o favorito para assumir a função, a ser anunciada oficialmente na próxima terça-feira (7).

Outro desafio para Teresa é lidar com os projetos considerados “pautas-bomba” pelo governo, como a PEC da aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde, que tem um impacto estimado de R$ 28 bilhões em dez anos.

A proposta estava prevista para ser analisada no Senado, mas Alcolumbre optou por um trâmite mais demorado, o que é visto como uma sinalização positiva ao Executivo. Agora, a nova líder terá que decidir se postergará a votação ou buscará acordos.