Empresas como Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay pediram na última 4ª feira (1º.jul.2026) ao governo dos Estados Unidos que produtos importados do Brasil sejam excluídos das tarifas adicionais propostas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). As empresas enviaram cartas ao órgão no contexto da investigação aberta pela Seção 301 (Lei de Comércio de 1974). As companhias afirmam que as medidas prejudicariam cadeias de suprimentos, aumentariam custos para consumidores norte-americanos e reduziriam a competitividade de empresas dos EUA.
Segundo elas, alguns produtos brasileiros não possuem oferta suficiente no mercado interno norte-americano para substituir as importações. As audiências públicas sobre as tarifas propostas pelo governo Donald Trump (Partido Republicano) começaram na 2ª feira (6.jul.2026). O USTR avalia a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma taxa de 12,5%, sob a argumentação de que o Brasil adota práticas que “ oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos.
A discussão vem em meio a divergências entre os 2 países. Documentos do Ministério das Relações Exteriores indicam que o Itamaraty avalia risco de uma escalada nas relações com Washington depois dos EUA classificarem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas internacionais . O Ministério das Relações Exteriores afirmou à Câmara dos Deputados que a classificação abre caminho para o uso da força militar norte-americana no Brasil.
Eis a íntegra do que afirmou o Itamaraty (PDF – 2 MB). Pedidos das empresas A Tesla solicitou a exclusão de insumos industriais brasileiros usados na produção de veículos elétricos, robôs e baterias. A montadora afirmou que trabalha para ampliar sua lista de fornecedores, mas disse que alguns materiais ainda não são produzidos nos Estados Unidos em quantidade e qualidade suficientes.
Segundo a empresa, a aplicação das tarifas dificultaria a adaptação da cadeia produtiva. Eis a íntegra da carta (PDF, em inglês – 303 kB ). A Nestlé pediu que o café instantâneo não aromatizado e o colágeno bovino sejam incluídos na lista de produtos isentos.
A companhia argumenta que o café não pode ser produzido em escala comercial nos EUA e que o Brasil é o principal exportador mundial de colágeno bovino. A empresa afirmou que 96,7% das cadeias de fornecimento de commodities primárias foram avaliadas como livres de desmatamento até o fim de 2025. Eis a íntegra da carta (PDF, em inglês – 146 kB ).
A Coca-Cola solicitou a manutenção da isenção estabelecida para o suco de laranja brasileiro e pediu que limões e derivados também sejam excluídos das tarifas ou recebam um período de transição. A empresa afirmou que a produção de laranja na Flórida caiu de 242 milhões de caixas na safra 2003/04 para uma estimativa de 12 milhões na safra 2025/26, por causa de doenças e pragas. Eis a íntegra da carta (PDF, em inglês – 208 kB).
O eBay pediu uma isenção para produtos usados e seminovos vendidos pela plataforma. A empresa argumenta que esses itens não representam concorrência direta com produtos novos fabricados nos Estados Unidos e que exigir a identificação precisa da origem de mercadorias usadas criaria dificuldades operacionais.
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