O governo federal terá dificuldades para equilibrar suas contas nos próximos anos, estima o Tesouro Nacional. Segundo o Relatório de Projeções Fiscais, divulgado na 3ª feira (30.jun.2026), o resultado primário planejado para o período de 2028 a 2030 não deve ser cumprido. O Tesouro projeta que em 2026 e 2027 o governo ficará dentro da banda de tolerância, mas abaixo do centro da meta fiscal.

Isso significa que, sem adotar medidas extras —como cortes de gastos ou novos aumentos de arrecadação—, o governo ficará abaixo do patamar de segurança fiscal prometido. “ Os resultados mostram melhora gradual do resultado primário ao longo do horizonte, mas ainda insuficiente para assegurar o cumprimento da trajetória de metas em parte relevante do período ”, afirma o relatório. Eis a íntegra do documento (PDF – 2 MB).

O resultado primário mostra a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública –indica se o governo economizou ou não para pagar os juros da sua dívida. A projeção aparece no chamado cenário inicial, que considera a legislação vigente, a evolução das despesas conforme o Regime Fiscal Sustentável e a aplicação de contingenciamentos quando houver risco de descumprimento da meta. Mesmo com esse bloqueio de despesas, o Tesouro afirma que o ajuste não seria suficiente para alcançar o piso da meta de resultado primário nos anos de 2028, 2029 e 2030.

O cenário pressiona diretamente o próximo mandato presidencial, que começará em 2027. Segundo o relatório, para cumprir as metas no chamado cenário de referência, será necessário adotar medidas adicionais de arrecadação ou outras ações de ajuste fiscal, como revisão de gastos, redução de vinculações, contingenciamento ou subexecução de despesas. ANO A ANO O resultado projetado é o seguinte: 2026: déficit primário de 0,4% do PIB, ainda dentro do limite inferior da meta quando consideradas as exceções autorizadas; 2027: déficit de 0,1% do PIB, também acima do piso da banda inferior fiscal, mas abaixo do centro da meta, já consideradas as deduções permitidas; 2028: as receitas superam as despesas primárias em 0,2% do PIB, mas o resultado não alcança o limite inferior da meta; 2029: o superávit projetado é de 0,3% do PIB, novamente abaixo do piso da meta; 2030: o resultado positivo chega a 0,3% do PIB, mas segue insuficiente para cumprir a meta fiscal do período: de 1% do PIB.

contingenciamentos em vista Este cenário, segundo o Tesouro, já leva em conta um contingenciamento de R$ 66,6 bilhões em 2028, R$ 68,4 bilhões em 2029 e R$ 59,6 bilhões em 2030, a preços de 2026. O valor equivale, em média, a 0,4 ponto percentual do PIB, mas ainda assim não seria suficiente para atingir o limite inferior da meta. Para chegar no mínimo programado pela meta fiscal primária nesses anos, o governo teria que arrecadar ou economizar R$ 10,0 bilhões em 2028, R$ 80,6 bilhões em 2029 e R$ 136,4 bilhões em 2030.

O relatório cita como fatores de pressão o crescimento das despesas obrigatórias, especialmente benefícios previdenciários, como BPC e seguro-desemprego. Segundo o Tesouro, essas despesas crescem acima do limite projetado para o Orçamento, reduzindo o espaço para despesas discricionárias, como custeio e investimentos.