A comercialização de fertilizantes para a safra de soja deste ano enfrenta uma fase crucial, com o último terço da demanda apresentando riscos elevados de aumento de preços e dificuldades de abastecimento, especialmente para os fertilizantes fosfatados.
De acordo com Bruno Fonseca, analista de insumos do Rabobank, até meados de junho, as compras de fertilizantes para a soja estavam alinhadas com o mesmo período do ano anterior, com cerca de dois terços da demanda já atendida. Contudo, ele alerta que a atenção agora deve se concentrar nesse último terço, tanto em relação ao volume adquirido quanto ao ritmo de entrega dos insumos.
Desigualdade no acesso a fertilizantes
Fonseca observa que outras culturas, como milho, café, cana-de-açúcar e citros, estão em uma situação mais confortável e têm conseguido acessar fertilizantes sem grandes dificuldades. Em contraste, a soja é identificada como a cultura que enfrenta maior pressão.
No que diz respeito aos nutrientes, a situação é desigual. O potássio deve continuar acessível, com importações em volume recorde até o final de maio. Por outro lado, o fósforo apresenta um cenário preocupante: os preços do insumo permanecem próximos de US$ 900 por tonelada no porto, o que pressiona as margens dos produtores. Aqueles que já realizaram as compras tendem a ser os mais capitalizados, enquanto o risco maior recai sobre os que costumam adquirir insumos em cima da hora, podendo enfrentar preços mais altos ou até dificuldade de acesso ao produto.
Impactos do mercado e cenários futuros
Os dados de importação refletem uma mudança na composição dos fosfatados, com um aumento na participação de produtos de menor concentração de nutrientes. As importações do MAP, no entanto, estão no menor nível para os primeiros cinco meses do ano desde 2018, com cerca de 1 milhão de toneladas importadas entre janeiro e maio deste ano.
Segundo Fonseca, esse atraso na chegada dos volumes importados poderá gerar um período de tensão para as empresas e produtores, principalmente aqueles que deixam a compra de fertilizantes para o final do ciclo. Ele destaca que, até meados de agosto, o foco deve estar nas compras para a soja, e, a partir de então, na demanda do milho safrinha.
Wharlhey Nunes, do Itaú BBA, observa que a decisão de reduzir a adubação fosfatada deve persistir entre alguns produtores, em razão dos altos preços e restrições financeiras. Isso pode aumentar a probabilidade de ajustes no pacote tecnológico e maior exposição ao risco produtivo.
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