Papa Leão XIV enfrenta crise com grupos tradicionalistas O Vaticano declarou nesta quinta-feira (2) que a Fraternidade São Pio X (SSPX), grupo católico ultraconservador, está oficialmente em cisma com a Igreja Católica. A Santa Sé anunciou ainda a excomunhão dos bispos ligados à organização, declarou inválidos os sacramentos celebrados por eles e orientou os fiéis a não aderirem ao grupo. A decisão foi anunciada um dia após a fraternidade desafiar o papa Leão XIV ao ordenar quatro bispos sem autorização da Santa Sé, em uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça, considerada pelo Vaticano um "ato cismático".
Além da excomunhão dos bispos, o Vaticano advertiu os católicos de todo o mundo que a Fraternidade São Pio X agora celebra sacramentos de forma ilícita e não pode oficiar casamentos nem ouvir confissões com validade perante a Igreja Católica. A Santa Sé também afirmou que os padres e fiéis leigos que aderirem ao grupo ultraconservador dissidente passam a ser considerados em situação de cisma e excomungados. Antes da ordenação, Leão XIV havia feito um último apelo ao superior da Fraternidade São Pio X, o padre Davide Pagliarani, para que desistisse da cerimônia.
Em carta divulgada pelo Vaticano, o pontífice pediu que o grupo "renunciasse ao projeto" e alertou para as consequências da decisão. Foram consagrados quatro novos bispos — dois franceses, um norte-americano e um suíço — diante de milhares de fiéis reunidos na sede da fraternidade. Consagração cismática de bispos realizada pela Sociedade de São Pio X (SSPX), grupo católico tradicionalista, em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026.
AFP Segundo a Santa Sé, a ordenação de bispos sem o consentimento do papa rompe a comunhão com a Igreja Católica. Com a decisão anunciada nesta quinta, o Vaticano afirma que os bispos da fraternidade estão excomungados, que os sacramentos celebrados por eles são inválidos e que padres e leigos que aderirem ao grupo também passam a ser considerados em cisma. Grupo rejeita reformas da Igreja A Fraternidade São Pio X reúne católicos tradicionalistas que defendem a reversão de mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II.
Entre as principais bandeiras do grupo estão o retorno das missas em latim, celebrações com o padre voltado para o altar — de costas para os fiéis — e a rejeição de parte das reformas litúrgicas e pastorais adotadas pela Igreja nas últimas décadas. A decisão do Vaticano marca uma nova escalada na crise entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, considerada o maior grupo dissidente do catolicismo tradicionalista. Consagração cismática de bispos realizada pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026 FABRICE COFFRINI / AFP O que defende a Fraternidade São Pio X?
Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X surgiu em oposição às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. O concílio marcou uma das maiores reformas da história recente da Igreja Católica. Entre as mudanças, as missas deixaram de ser obrigatoriamente celebradas em latim e passaram a ser realizadas na língua de cada país.
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