Foto: Freepik Uma declaração do embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher, repercutiu fortemente no agronegócio . Segundo ele, a União Europeia não pretende flexibilizar as exigências sanitárias impostas ao Brasil e, caso as regras não sejam integralmente cumpridas, a suspensão das exportações de diversos produtos de origem animal entrará em vigor em 3 de setembro. A notícia preocupa.
Afinal, a União Europeia é um dos principais destinos das proteínas brasileiras. Uma pergunta precisa ser feita Antes de transformar essa declaração em uma sentença definitiva, cabe um questionamento: a decisão já está formalmente encerrada ou ainda existe um processo técnico em andamento? A União Europeia afirma que o Brasil não apresentou comprovação suficiente sobre o atendimento às novas exigências relativas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
Se essa é a fundamentação, ela precisa ser apresentada com total clareza. O que ainda falta esclarecer? O que exatamente o Brasil deixou de comprovar?
Quais documentos não foram apresentados? Ainda existe possibilidade de complementação das informações ou todo o processo já foi encerrado? Essas respostas interessam não apenas ao governo brasileiro, mas também aos produtores, frigoríficos, exportadores e investidores que dependem de previsibilidade para planejar seus negócios.
Quem fala e quem decide A manifestação do embaixador tem relevância política e diplomática, especialmente porque a Irlanda exerce atualmente a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. Entretanto, a decisão sanitária pertence às instituições competentes da União Europeia e deve estar amparada em critérios técnicos claramente demonstrados. Transparência acima de tudo A Irlanda também é um importante produtor europeu de carne bovina.
Esse fato, por si só, não desqualifica a declaração do diplomata. Mas reforça a necessidade de que decisões com tamanho impacto econômico sejam acompanhadas de absoluta transparência e fundamentação técnica. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
O Brasil deve cumprir as exigências dos mercados mais sofisticados do mundo. Da mesma forma, tem o direito de saber exatamente quais requisitos ainda não foram atendidos e quais elementos justificam uma medida que afeta bilhões de dólares em exportações. No comércio internacional, regras precisam ser respeitadas.
Mas decisões que afetam milhares de produtores e empregos também precisam ser plenamente explicadas. Quando falta transparência, até uma decisão técnica passa a ser vista como uma decisão política. * Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores.
A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação. O post União Europeia: barreira sanitária ou sentença antecipada? apareceu primeiro em Canal Rural .
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.