A Volkswagen está se preparando para um corte significativo em sua força de trabalho, com planos de demitir até 100 mil funcionários e fechar quatro fábricas na Alemanha, conforme divulgado pelo jornal inglês Financial Times nesta sexta-feira (26).

Essa estratégia representa um aprofundamento do programa de redução de custos da montadora, que enfrenta forte concorrência das fabricantes chinesas no mercado global. Se concretizado, esse plano resultará na eliminação de quase 16% dos aproximadamente 625 mil empregos da empresa ao redor do mundo, configurando-se como um dos maiores programas de demissão na história da indústria automobilística.

A Volkswagen já havia manifestado a intenção de cortar 50 mil empregos na Alemanha até 2030 e reduzir sua capacidade de produção em 500 mil veículos. Segundo fontes próximas ao assunto, a nova proposta, inicialmente revelada pela revista alemã Manager Magazin, poderá incluir mais 50 mil demissões além das previstas anteriormente.

Recentemente, a Volkswagen vendeu sua divisão de motores marítimos, a Everllence, para a gestora americana Bain Capital, obtendo 7,4 bilhões de euros, e o CEO Oliver Blume está promovendo mudanças para focar no setor automotivo da empresa.

Novas Medidas e Impactos

Após firmar um acordo com os sindicatos no final de 2024 para reduzir empregos, a montadora argumenta que tarifas dos EUA, o conflito no Oriente Médio e a pressão do mercado chinês exigem novas ações. O plano envolve o fechamento das fábricas em Emden, Zwickau, Hanover e a unidade da Audi em Neckarsulm.

Blume afirmou que o fechamento de fábricas não era sua primeira escolha, buscando alternativas como a produção de modelos chineses ou transferência para outras montadoras. O setor automobilístico europeu enfrenta uma crescente perda de espaço para os fabricantes chineses, que alcançaram quase 10% das vendas de veículos novos na Europa nos primeiros cinco meses de 2023.

A Volkswagen espera economizar 6 bilhões de euros anualmente até 2030 com essa reestruturação, considerando a redução de custos como uma prioridade. A empresa não comentou o novo plano ao Financial Times, afirmando que os detalhes serão apresentados ao conselho de supervisão em 9 de julho.