Com o Innovation Park Artificial Intelligence (IPAI), Heilbronn quer competir com outros centros tecnológicos, como Londres. Nicolas Martin/DW Quando o empresário Bernd Wagner caminha pela nova sede da empresa, fica entusiasmado e diz coisas como "sete vezes mais aço do que foi utilizado na construção da Torre Eiffel" ou "cabos suficientes para ir daqui até Nápoles". Wagner é o responsável pela área de computação em nuvem e vendas da Schwarz Digits.
Essas enormes quantidades de aço e cabos foram empregadas na construção da nova sede, que será oficialmente inaugurada em 21 de julho de 2026. O complexo, projetado para 3.500 funcionários e equipado com creche, restaurante e área fitness, lembra as sedes da Amazon, da Apple ou da Google: localizado numa elevação, é composto por cinco edifícios de vidro de vários andares, com formas suavemente curvas e estrutura em formato de colmeia. No centro do chamado Campus Schwarz Digits, há um pequeno lago, muito verde e bancos à sombra.
"Isso aqui é uma declaração de intenções. Não precisamos nos esconder da Google nem de ninguém", afirma Wagner. Agora no g1 Dos supermercados para a TI Essa sede não fica na Califórnia, mas em Bad Friedrichshall, uma pequena cidade no sul da Alemanha, a poucos quilômetros de Heilbronn, a cidade natal daquele que é apontado por revistas especializadas como o homem mais rico da Alemanha: Dieter Schwarz, de 86 anos.
Foi a partir de Heilbronn que ele construiu o império Lidl, uma das redes de supermercados mais conhecidas da Alemanha e presente em vários países da Europa. Mais de 600 mil pessoas trabalham em empresas do Grupo Schwarz em todo o mundo. 'Não precisamos nos esconder da Google nem de ninguém', afirma Wagner.
Nicolas Martin/DW O conglomerado cresceu sobretudo graças às redes de supermercados Lidl e Kaufland. Mas, como o Grupo Schwarz prefere fazer tudo por conta própria, expandiu-se para diversas áreas: produção de alimentos, gestão de resíduos, reciclagem e, agora, digitalização. Em 2025, o Grupo Schwarz registrou um faturamento de quase 185 bilhões de euros – mais do que SAP, Mercedes ou Bayer.
Só a montadora Volkswagen faturou mais entre as empresas alemãs. Europa sem dependência tecnológica O Grupo Schwarz sempre foi conhecido pela discrição. Quase nunca se fala sobre seu fundador, Dieter Schwarz.
Há poucas fotografias públicas dele. Diz-se que ele consegue andar por Heilbronn sem ser reconhecido. Mas agora o Grupo Schwarz está nas manchetes com uma nova narrativa, que começa com a Schwarz Digits e gira em torno da independência digital e da valorização da Alemanha como polo tecnológico.
"Se você não está sentado à mesa, acaba fazendo parte do cardápio", diz Wagner em seu escritório climatizado. Se nos últimos anos a Schwarz Digits cuidou sobretudo da infraestrutura de TI dos 14.500 supermercados do grupo ao redor do mundo, agora oferece seus serviços de nuvem e segurança digital também para empresas privadas e órgãos públicos. Segundo Wagner, o objetivo é fazer com que Alemanha e Europa voltem a ter protagonismo e deixem de depender totalmente das tecnologias dos Estados Unidos ou da China.
"Queremos devolver à Europa sua capacidade de agir", afirma.
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