A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) enfatizou a urgência de um "sistema de verificação muito forte" para monitorar o programa nuclear do Irã. O diretor-geral Rafael Grossi fez esse apelo na última sexta-feira, ressaltando que o objetivo principal do acordo preliminar de cessar-fogo com os Estados Unidos é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
Os Estados Unidos e seus aliados ocidentais alertam há anos sobre a possibilidade de que o programa nuclear iraniano tenha como objetivo a construção de um armamento nuclear, algo que Teerã nega veementemente, afirmando que suas intenções são exclusivamente civis. "O governo do Irã deixou claro que [desenvolver armas nucleares] não é a sua intenção, mas, claro, intenções não são suficientes", declarou Grossi. "Para termos certeza, precisamos de um sistema de verificação muito forte o mais breve possível."
A posição da AIEA, segundo Grossi, não é julgar intenções, mas sim garantir a verificação em todos os locais. A questão das inspeções em sites nucleares iranianos, que foram alvos de ataques dos EUA e de Israel em uma guerra de 12 dias em junho passado, se tornou um ponto crucial de desacordo nas negociações entre Washington e Teerã por um acordo de paz permanente baseado em um memorando de entendimento assinado recentemente.
Teerã suspendeu a cooperação com a AIEA após os ataques, mas em setembro permitiu o retorno de inspetores. Entretanto, o acesso aos locais atacados ainda não foi concedido, e os estoques de urânio enriquecido permanecem sem contabilização.
Divergências nas declarações
Tanto os EUA quanto o Irã têm emitido declarações contraditórias sobre as negociações. Enquanto os EUA afirmam que as inspeções foram acordadas no memorando, o Irã diz que a discussão sobre o tema ainda é limitada. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, mencionou que o acesso aos sites atacados será discutido em um acordo final com os EUA, condicionado ao levantamento de sanções.
Grossi observou que "uma guerra de declarações" está em andamento, mas reiterou que o memorando indica que a parte nuclear do acordo será supervisionada pela AIEA. O Ministério das Relações Exteriores do Irã reafirmou na sexta-feira que seu programa é pacífico e criticou as acusações dos EUA e de Israel como fabricadas.
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