Andy Burnham, confirmado como novo líder do Partido Trabalhista britânico na sexta-feira (17.jul.2026), assumirá o cargo de primeiro-ministro em 20 de julho de 2026. Ele marcará a história do Reino Unido ao se tornar o primeiro premiê católico desde 1558.

A última vez que um católico romano ocupou o cargo de primeiro-ministro foi durante o reinado da rainha Mary Tudor, que tentou reverter a Reforma Anglicana iniciada pelo rei Henry VIII. Desde então, o Reino Unido teve premiês anglicanos, mas nenhum se declarou católico durante o mandato.

O ex-primeiro-ministro Tony Blair, também do Partido Trabalhista, converteu-se ao catolicismo após deixar o cargo, em 2007. Já Boris Johnson, que foi primeiro-ministro de 2019 a 2022, foi batizado católico, mas assumiu como anglicano.

Nascido em 1970, Burnham cresceu em uma família católica, frequentou uma escola católica e foi coroinha. Em 2009, ele afirmou que as referências mais importantes em sua vida eram sua família, o time de futebol Everton, o Partido Trabalhista e a Igreja Católica, nessa ordem.

Em uma entrevista ao Huffpost em 2015, Burnham mencionou que se considerava "católico por educação", mas não "particularmente religioso". Por essa razão, optou por matricular seus filhos em uma escola católica. Como parlamentar, ele se posicionou a favor de pautas liberais, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e contra o endurecimento das leis sobre aborto.

No dia 22 de junho deste ano, Burnham prestou juramento à Bíblia ao reingressar no Parlamento do Reino Unido.

Legislação e restrições

A legislação britânica atual não impede que um católico assuma o cargo de primeiro-ministro, mas impõe restrições específicas para o exercício de algumas funções relacionadas à Igreja Anglicana. Essa limitação é estabelecida pelo Roman Catholic Relief Act de 1829.

De acordo com a Seção 18 da lei, uma pessoa que professe a fé católica não pode aconselhar o monarca sobre nomeações para cargos da Igreja da Inglaterra ou da Igreja da Escócia. A íntegra da lei pode ser acessada online.

Entretanto, essa restrição não impede Burnham de liderar o governo, pois a convenção constitucional permite que essa função seja delegada a outro membro do gabinete. Além disso, o papel do chefe de governo em tais nomeações foi reduzido nas últimas décadas.

Trajetória de Andy Burnham

Burnham se tornará o sétimo primeiro-ministro do Reino Unido em uma década, assumindo o cargo após a renúncia de Keir Starmer, que deixou a posição em 22 de junho de 2026, após 23 meses.

Natural de Liverpool, Burnham é filho de um técnico em telefonia e de uma recepcionista. Cresceu em Culcheth, Cheshire, estudou em escolas públicas católicas e se formou em Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge.

Em 2001, foi eleito para representar Leigh, no norte da Inglaterra. Durante os governos de Tony Blair e Gordon Brown, ocupou diversos cargos, incluindo secretário-chefe do Tesouro e secretário da Saúde. Ele já disputou a liderança do Partido Trabalhista em duas ocasiões, sem sucesso, mas desde 2017 consolidou sua base política como prefeito da Grande Manchester.