A crescente demanda por energia em todo o mundo, impulsionada pela inteligência artificial e crises energéticas, faz com que a energia nuclear se torne uma opção atraente. Bangladesh, que se prepara para sua primeira usina nuclear, está apostando no projeto da usina de Rooppur, construída com tecnologia russa, que deve começar a operar em 2027 e fornecer até 15% da eletricidade do país até 2028.

Contexto da Energia Nuclear Global

O cenário energético atual apresenta um dilema: é necessário encontrar fontes de energia que sejam acessíveis, sustentáveis e seguras. Segundo o Foreign Policy Journal, a segurança energética é agora uma prioridade política, e a energia nuclear pode desempenhar um papel central na matriz elétrica global até meados do século. Países com setores nucleares consolidados, como Estados Unidos e Canadá, estão se expandindo, enquanto nações em desenvolvimento, como Bangladesh, estão entrando no setor pela primeira vez.

Historicamente, a energia nuclear foi dominada por nações mais ricas, que controlam mais de 70% da produção global. No entanto, essa dinâmica está mudando. Atualmente, a maioria dos 80 reatores nucleares em construção está localizada em economias emergentes, como Índia e Paquistão, que também estão desenvolvendo suas capacidades nucleares.

Desafios e Oportunidades para Bangladesh

O projeto da usina de Rooppur, orçado em cerca de $12,65 bilhões, está sendo financiado majoritariamente por atores externos, principalmente a Rússia. Apesar do investimento significativo, a desvalorização da moeda local, o taka, desde a aprovação do projeto há uma década, levanta preocupações sobre a viabilidade financeira a longo prazo.

Os operadores da usina acreditam que o investimento trará benefícios, uma vez que os custos operacionais de longo prazo da energia nuclear tendem a ser mais baixos. Contudo, autoridades de Bangladesh já afirmaram que não planejam iniciar novos projetos nucleares em grande escala após a conclusão de Rooppur. O ministro de Energia do país indicou que a estratégia futura se concentrará em reatores modulares menores, que prometem custos menores e prazos mais curtos de construção.

O sucesso ou fracasso do projeto de Rooppur poderá servir de exemplo para outras nações em desenvolvimento que consideram a adoção da energia nuclear. A atenção mundial se voltará para Bangladesh no próximo mês, quando o primeiro reator da usina estiver programado para se conectar à rede elétrica, marcando um momento crucial para o país e para o futuro da energia nuclear em economias emergentes.