A Apple entrou com uma ação judicial contra a OpenAI e dois de seus funcionários, além da io Products, alegando que a empresa de inteligência artificial obteve acesso a informações confidenciais por meio da contratação de ex-colaboradores da gigante da maçã. O processo foi protocolado na sexta-feira e a Apple afirma que a OpenAI se envolveu em um "padrão de roubo" de informações sobre o desenvolvimento de produtos.

Segundo a Apple, pelo menos dois ex-funcionários de longa data teriam participado desse esquema, enviando para si mesmos informações internas da empresa. A Apple alega que a OpenAI, por meio desses ex-colaboradores, conseguiu obter detalhes sobre projetos sensíveis, relações com parceiros de confiança, técnicas de fabricação proprietárias e produtos que ainda não foram lançados.

Acusações e reações

Drew Pusateri, porta-voz da OpenAI, afirmou em declaração à BBC que a empresa "não tem interesse nos segredos comerciais de outras companhias". Ele acrescentou que a OpenAI está atualmente analisando a queixa da Apple e que a organização se concentra em desenvolver tecnologias inovadoras que beneficiam as pessoas.

Um porta-voz da Apple disse que a ação judicial é baseada em "evidências significativas". Essa disputa representa uma mudança significativa nas relações entre a Apple e a OpenAI, que é conhecida pela criação do popular chatbot de IA, o ChatGPT. Tim Cook, CEO da Apple que está deixando o cargo, havia integrado o ChatGPT aos dispositivos da empresa enquanto buscava oferecer mais recursos de IA.

Implicações para o mercado de hardware

Em um contexto mais amplo, a Apple fez mudanças em suas funcionalidades de IA, optando por utilizar o modelo Gemini do Google. Apesar disso, em abril, Cook anunciou sua saída e Sam Altman, cofundador e CEO da OpenAI, elogiou sua trajetória à frente da Apple, expressando gratidão pelo que ele fez pela empresa.

A Apple agora acusa a OpenAI de ter uma "estratégia para extrair informações confidenciais" da empresa. Além da OpenAI, a ação judicial também inclui a io Products, uma startup de design fundada por Jony Ive, ex-executivo da Apple, que foi adquirida pela OpenAI no ano passado. A Apple está processando Chang Liu, um engenheiro elétrico sênior que trabalhou na Apple por oito anos, e Tang Yew Tan, vice-presidente de design do iPhone e Apple Watch, que passou 24 anos na empresa e agora é diretor de hardware da OpenAI.

A Apple alega que durante as entrevistas de emprego, a OpenAI teria solicitado que candidatos trouxessem "peças reais" da Apple como "props" para apresentar durante as entrevistas. A empresa também acusa todos os envolvidos de "atuar em conjunto e como uma empresa, explorando informações confidenciais da Apple para avançar os esforços da OpenAI no mercado de hardware de consumo".

A OpenAI deve lançar seu primeiro produto de hardware, um tipo de teclado para ser utilizado com suas ferramentas de IA, ainda neste mês e está planejando se tornar uma empresa de capital aberto. A Apple, em sua ação, destacou que a má conduta da OpenAI está normalizada e exemplificada pela liderança, indicando que sua nova unidade de hardware se baseia em fundamentos instáveis, corrompidos por uma dependência ilegal de segredos comerciais apropriados.

A Apple também informou que tentou discutir suas preocupações com a OpenAI em fevereiro, mas não obteve resposta. A empresa pediu ao tribunal que proíba imediatamente a OpenAI de obter ou usar quaisquer informações confidenciais alegadas e busca indenizações monetárias não especificadas.