Uma área marinha protegida, delineada em um mapa, deve ter validade legal para restringir a atuação de embarcações pesqueiras. No entanto, essa delimitação enfrenta desafios significativos, especialmente no alto-mar, onde correntes e peixes não respeitam fronteiras. Um novo estudo publicado na revista Science Advances destaca um problema crescente relacionado a uma tecnologia pesqueira amplamente utilizada: os dispositivos de agregação de peixes à deriva, conhecidos como dFADs.

Os dFADs são plataformas flutuantes, frequentemente equipadas com bóias de satélite e sonares, que auxiliam as frotas de cerco a localizar e capturar atuns. Esses dispositivos atraem diversas espécies marinhas ao se agruparem em objetos flutuantes, facilitando a busca em um oceano móvel e imprevisível. Contudo, sua presença nas áreas protegidas gera uma série de complicações.

Impactos dos dFADs nas áreas protegidas

Um dFAD pode ser lançado fora de uma reserva, mas acabar adentrando-a devido às correntes oceânicas. Uma vez dentro, esses dispositivos podem agregar peixes, capturar animais selvagens, se desintegrar, afundar ou até mesmo encalhar em recifes e praias. O mais preocupante é que isso pode ocorrer sem que uma embarcação ultrapasse a linha de demarcação da área protegida.

Além disso, a visibilidade das operações de dFADs é limitada, já que os dados das bóias costumam ser controlados pelas empresas pesqueiras. Isso dificulta a supervisão e a gestão efetiva das áreas marinhas protegidas, que podem acabar recebendo lixo e equipamentos perdidos da pesca industrial.

Dados alarmantes sobre a movimentação dos dFADs

A pesquisa analisou a interseção de 88.359 bóias de dFAD rastreadas com áreas marinhas protegidas existentes, revelando onde esses dispositivos provavelmente entraram. Os resultados indicam que, mesmo em áreas com proibições de pesca, a influência dos dFADs é significativa, destacando a necessidade de uma abordagem mais robusta para a gestão da pesca e da proteção marinha.

Com a crescente pressão sobre os ecossistemas marinhos, a questão dos dFADs e seu impacto nas áreas protegidas se torna cada vez mais relevante. A pesquisa sugere que, para garantir a eficácia das áreas marinhas protegidas, é essencial desenvolver estratégias que considerem a dinâmica dos dispositivos à deriva e a interdependência entre a pesca e a conservação.