Teste sobre obediência Getty Images/via BBC Em junho de 1961, um anúncio publicado no jornal The New Haven Register, do Estado americano de Connecticut, recrutava pessoas para um experimento aparentemente inocente na Universidade Yale, nos Estados Unidos: "Pagaremos a você US$ 4,00 [cerca de R$ 20] por uma hora do seu tempo. Precisamos de pessoas para um estudo de memória." O anúncio procurava operários, barbeiros, homens de negócios e uma vasta série de outros profissionais. Não era necessário ter formação, nem experiência específica.
Os interessados deveriam enviar suas informações pelo correio para o professor Stanley Milgram (1933-1984), do Departamento de Psicologia da Universidade. Quarenta homens acabaram participando do teste inicial do experimento. Eles entraram em um laboratório e, em uma aparente tarefa de aprendizado de palavras, pediu-se que eles dessem choques elétricos em um estranho, até um nível potencialmente letal.
A maioria dos homens (26 de um total de 40, ou 65%) acabou fornecendo o choque letal máximo. Em estudos complementares com outros voluntários, a maioria atingiu o choque máximo mesmo quando a vítima era apresentada como portadora de condições cardíacas, ou quando era possível ouvi-la implorando para ser libertada. Os homens não faziam ideia de que os choques, na verdade, eram simulados e que todo o estudo era manipulado.
O experimento não tinha nada a ver com memória. Na verdade, era um estudo sobre obediência e crueldade, que se tornaria um dos exemplos mais famosos de pessoas comuns realizando ações brutais impensáveis, ao cumprir ordens em um ambiente de laboratório.
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