Um homem identificado como Lobga Rangzen, ativista tibetano, faleceu após atear fogo ao próprio corpo na quinta-feira (2) em frente à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O ato foi uma manifestação pela independência do Tibete, região sob controle chinês.
A polícia de Nova York informou que recebeu um chamado de emergência por volta das 18h30 (horário local) e encontrou Rangzen gravemente queimado. Ele foi levado ao Hospital Bellevue, onde foi declarado morto. As autoridades ainda investigam o incidente e não divulgaram a identidade da vítima, mas o veículo de comunicação Voice of Tibet confirmou que se tratava do ativista.
Motivação do protesto
De acordo com o Voice of Tibet, Lobga Rangzen realizou a autoimolação após uma transmissão ao vivo na qual clamava pela independência e unidade do Tibete. O ativista foi visto carregando uma bandeira tibetana momentos antes de cometer o ato. Informações do site amNewYork indicam que ele trabalhava como motorista de Uber e estava insatisfeito com as restrições impostas pelo governo chinês aos tibetanos, conforme relato de um conhecido.
Repercussão e contexto
A morte de Rangzen ocorre em um momento de crescente tensão entre os tibetanos e o governo da China, especialmente após a implementação de uma nova lei de unidade étnica, que entrou em vigor esta semana. Essa legislação permite ao governo chinês adotar medidas contra cidadãos fora de suas fronteiras, em um contexto que já é marcado por vigilância rigorosa e repressão a manifestações de separatismo.
Desde que a China assumiu o controle do Tibete em 1950, o regime tem sido alvo de críticas por organizações internacionais de direitos humanos e grupos de exilados, que denunciam um regime opressor. O governo chinês, por sua vez, rejeita essas alegações e justifica sua presença na região como uma “libertação pacífica” do sistema feudal.
Tencho Gyatso, presidente da Campanha Internacional pelo Tibete, expressou tristeza pela morte de Rangzen, descrevendo-o como um defensor incansável da causa tibetana. Entre 2009 e 2022, foram registradas mais de 150 autoimolações de tibetanos como forma de protesto contra as políticas chinesas, sendo que 10 desses casos envolveram cidadãos no exílio.
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