Os atletas de alto nível têm enfrentado desafios sem precedentes devido às mudanças climáticas, que resultaram em ondas de calor e incêndios florestais na Europa. Um exemplo dessa adaptação ocorreu durante o Tour de France, onde, em 12 de julho, pela primeira vez em 123 anos de história, uma etapa da competição precisou ser encurtada devido ao calor extremo, com temperaturas próximas a 40°C.
A equipe norueguesa Uno-X Mobility, apesar de proveniente de climas mais frios, se destacou no evento. O ciclista Tobias Hallend Johannessen conquistou o segundo lugar na nona etapa, enquanto Torstein Træen vestiu a camisa amarela de líder por duas etapas.
Treinamento em calor extremo
O treinador Olav Aleksander Bu, conhecido por seu método norueguês de treinamento de resistência, tem se concentrado em preparar atletas para competições em altas temperaturas. Ele utiliza exposições limitadas, mas frequentes, ao calor sob supervisão rigorosa para aumentar a tolerância e melhorar o desempenho em condições adversas.
Esse método envolve monitoramento constante da temperatura corporal através de sensores CORE, além de evitar o uso de ar condicionado e bebidas frias. Bu explica que a estratégia é baseada na adaptação gradual ao calor, começando com sessões de baixo impacto e aumentando a intensidade ao longo do tempo.
Resultados e eficácia do treinamento
Os atletas se adaptam ao calor de maneira mais rápida do que a outras condições. Um protocolo de treinamento adequado pode mostrar benefícios significativos em apenas sete a dez dias. Um dos principais indicadores de sucesso nesse treinamento é a expansão do volume sanguíneo, que ajuda a resfriar o corpo.
Bu destaca que a falta de treinamento adequado para o calor pode levar a um desempenho reduzido de mais de 30% em competições. Ele também menciona que a utilização de saunas pode ser uma boa estratégia complementar, mas a aclimatação ativa é sempre mais eficaz.
A equipe Uno-X Mobility atribui seu sucesso no Tour de France ao treinamento específico para calor, o que permite que os atletas mantenham um desempenho mais consistente mesmo em temperaturas elevadas. As medições de temperatura corporal durante os treinos mostram que, após uma semana de aclimatação, a velocidade e a resistência dos ciclistas se aproximam dos níveis normais.
O futuro do esporte pode exigir uma reavaliação das práticas de treinamento e competição, considerando o aumento das temperaturas globais. Bu acredita que a integração de tecnologia de monitoramento de temperatura corporal pode se tornar comum não apenas entre atletas, mas também entre o público em geral, à medida que as condições climáticas se tornam mais desafiadoras.
Com o aumento contínuo das emissões de gases de efeito estufa, a sustentabilidade de eventos esportivos como o Tour de France é incerta. A discussão sobre como lidar com o calor nas competições deve ser ampliada, conforme a comunidade esportiva busca se adaptar a um novo normal climático.
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