A arquitetura do poder político, historicamente exercida por seres humanos, enfrenta um ponto de inflexão com a ascensão da algocracia, um fenômeno que pode reduzir a influência humana nas decisões governamentais. Essa transformação traz facilidades, mas também riscos, à medida que os cidadãos trocam parte de sua autonomia por promessas de eficiência e segurança.

Exemplos de algocracia na Europa

Um exemplo significativo é a Albânia, que nomeou um agente de inteligência artificial, chamado “Diella”, para atuar em uma função similar à de ministra, encarregada de supervisão de licitações e contratos públicos. O primeiro-ministro albanês justificou que a máquina seria incorruptível e imune a falhas morais.

Na Itália, a cidade de Acqui Terme anunciou a nomeação de “Eva Statiella”, uma assessora virtual de IA, que tem a responsabilidade de melhorar as relações humanas na administração municipal. Essa iniciativa visa criar um “comune agentico”, onde as IAs assumem tarefas burocráticas, permitindo que os servidores públicos se concentrem em práticas mais complexas e humanizadas.

Inovações na Espanha e desafios na China

A Espanha, por outro lado, utiliza a tecnologia de forma positiva com o VioGén, um sistema que avalia e gerencia o risco de violência de gênero. Desde 2007, essa plataforma já ajudou a proteger mais de 831 mil vítimas, realizando mais de 7,2 milhões de avaliações de risco. Reconhecido internacionalmente, o VioGén é considerado um modelo eficaz na prevenção de feminicídios.

Em contraste, a China apresenta uma abordagem mais punitiva, com a utilização de uma IA como promotora de justiça, que formula acusações baseadas em dados de casos. Embora essa tecnologia alivie a carga de trabalho dos promotores, especialistas alertam para o risco de substituição na tomada de decisões, levantando questionamentos sobre a responsabilidade legal em caso de erros.

Singapura e a governança inteligente

Singapura, por sua vez, adota uma postura de “inovadora prudente” com a IA, utilizando-a em áreas como manutenção de habitações e gestão de trânsito. O governo local implementou um sistema que utiliza biometria facial para controle de imigração, permitindo uma passagem mais rápida pelas fronteiras. Essa abordagem visa não apenas a eficiência, mas também a confiança na administração pública.

Assim, a integração da IA na administração pública, enquanto apresenta oportunidades, também suscita debates sobre a autonomia humana e a ética na tomada de decisões, refletindo a complexidade do fenômeno da algocracia.