O café, tradicional bebida consumida por milhões de brasileiros, ganhou nova dimensão com o sucesso do livro Café com Deus Pai, de Junior Rostirola, que se tornou o mais vendido de 2023. Essa tendência levou a uma onda de publicações que associam a bebida a temas religiosos, como Café com Nossa Senhora e Café com Jesus.

A relação entre café e religiosidade

Historicamente, a conexão entre o café e a religiosidade não foi sempre harmoniosa. O Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), é o segundo maior consumidor de café do mundo, mas a bebida já enfrentou resistência, especialmente entre católicos. No passado, o café era visto como a "bebida do diabo" por alguns cristãos, e até hoje há denominações que proíbem seu consumo.

A história do café e suas controvérsias

Os primeiros registros sobre o café datam do século 6º, quando um pastor de cabras etíope notou os efeitos da planta em seus animais. A torrefação da bebida começou no século 14, quando monges da Igreja Ortodoxa Etíope a descobriram. Com o tempo, o café se espalhou pelo mundo islâmico, onde era utilizado por muçulmanos sufistas para manter-se acordados durante longas orações.

O café chegou à Europa no século 16, e logo tornou-se um tema de debate entre cristãos. O papa Clemente VIII, no final do século 16, teria "batizado" a bebida, permitindo que os cristãos a consumissem sem culpa. Este ato foi crucial para a popularização do café no Ocidente, especialmente em uma época em que as pessoas consumiam principalmente bebidas alcoólicas.

Proibições contemporâneas

Apesar de sua aceitação crescente, o café ainda enfrenta proibições em algumas religiões. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como mórmons, proíbe o consumo de café, conforme revelações de seu fundador, Joseph Smith, em 1833. A Igreja Adventista do Sétimo Dia não proíbe oficialmente, mas orienta que seus membros evitem a bebida.

Essas restrições refletem uma preocupação com a saúde e o bem-estar espiritual dos fiéis, mostrando que a relação entre café e religião continua a ser complexa e multifacetada.