Um casal britânico, Emma e Simon Mitchell, retornou à sua residência em Bédar, na província de Almeria, Espanha, após um incêndio florestal devastador que resultou na morte de pelo menos 13 pessoas, incluindo cinco britânicos, na quinta-feira, 26 de outubro. O incêndio, agora controlado, consumiu cerca de 7.000 hectares de terra e se tornou um dos mais mortais da história espanhola.

No último domingo, a situação se agravou com a morte de uma mulher de 93 anos, supostamente britânica, em decorrência de ferimentos. A identidade das vítimas ainda não foi oficialmente confirmada. O incêndio foi alimentado por ventos de até 50 km/h, o que intensificou a destruição na região.

Retorno em meio à devastação

Enquanto subiam a estrada sinuosa rumo a Bédar, os Mitchell se depararam com um cenário desolador, com partes de carros derretidas e colinas cobertas de cinzas. Apesar da devastação ao redor, Emma expressou alívio ao ver que sua casa havia sobrevivido ao incêndio. "Esta é a nossa casa e ela sobreviveu", disse Emma, enquanto apontava para propriedades vizinhas que haviam sido consumidas pelas chamas.

O casal, que se mudou para a vila há três anos e cuida de 15 galinhas, estava entre os cerca de 600 moradores autorizados a retornar após a evacuação de quase 1.500 pessoas na área afetada. Emma destacou a falta de orientações claras sobre como evacuar em caso de incêndio, afirmando que alertas por telefone seriam úteis. "Recebemos alertas para terremotos a 80 km de distância, mas não para um incêndio a 250 metros", criticou.

Críticas à resposta das autoridades

Embora os Mitchell tenham elogiado o trabalho da polícia local e dos bombeiros, Emma manifestou indignação em relação a declarações de autoridades que responsabilizaram as vítimas por não seguirem instruções. "Vocês precisam se organizar e não tentar culpar as vítimas depois. Essas pessoas que morreram não tinham instruções a seguir, fizeram o melhor que puderam e pagaram o preço", afirmou.

Oficiais locais justificaram a falta de um alerta na noite de quinta-feira, alegando que isso poderia ter confundido pessoas fora da área afetada e dificultado as evacuações. Autoridades também afirmaram que realizaram contato com os residentes, orientando sobre como se abrigar ou evacuar com segurança.

A situação se torna ainda mais crítica considerando que o incêndio já é um dos mais letais da história da Espanha. Em 1984, um incêndio na Ilha da Gomera resultou na morte de 20 pessoas, e em 1979, um incêndio florestal próximo a Lloret de Mar causou a morte de 21 pessoas, incluindo nove crianças. O aumento das temperaturas globais, impulsionado pelas mudanças climáticas, está contribuindo para ondas de calor mais intensas e incêndios florestais mais severos.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, está programado para visitar a área afetada de Los Gallardos, que abriga muitos residentes estrangeiros, na próxima segunda-feira.