Os assassinatos do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, em Belo Horizonte, mobilizaram a Polícia Civil de Minas Gerais e tiveram novos desdobramentos nos últimos dias.

O casal foi encontrado morto em seu apartamento no bairro São Pedro, e a investigação concluiu que se tratou de um latrocínio (roubo seguido de morte). A principal suspeita é a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, que foi indicada por um parente das vítimas para realizar uma faxina na residência.

Crime e descoberta

De acordo com a Polícia Civil, Paola entrou no apartamento para o primeiro dia de trabalho como diarista. Ela chegou ao prédio por volta das 7h30, e o crime ocorreu entre 12h30 e 15h, conforme a última comunicação de Cláudio com um familiar às 12h25.

A versão da suspeita indica que ela dopou o casal com comprimidos de um medicamento antes de atacá-los com uma faca encontrada no local. Após os assassinatos, Paola tomou banho, trocou de roupa e reuniu objetos de valor, deixando o prédio com bolsas e sacolas.

Descoberta dos corpos e investigação

No dia seguinte, o filho do casal, sem conseguir contato com os pais, encontrou os corpos. A perícia revelou que Cláudio foi atingido por 17 facadas e Maria Clotilde por sete, ambos apresentando ferimentos que indicam tentativa de defesa. A investigação também constatou que pertences haviam desaparecido, reforçando a hipótese de latrocínio.

Na quarta-feira, a Polícia Civil identificou Paola como a principal suspeita após analisar imagens de câmeras de segurança. Os vídeos mostraram a diarista entrando e saindo do prédio em horários distintos e com roupas diferentes. A tia da suspeita fez um apelo público para que ela se entregasse, mencionando um tratamento psiquiátrico anterior.

Na madrugada de quinta-feira, Paola foi presa em um hotel em Itabira, onde estava com seu filho de 6 anos. A polícia a monitorava desde a quarta-feira, e a suspeita não resistiu à prisão, afirmando já esperar ser detida devido à repercussão do caso.

Durante o interrogatório, Paola confessou o crime, alegando que não tinha intenção de roubar, mas decidiu levar objetos de valor. Contudo, em seu depoimento formal, optou por permanecer em silêncio.

As investigações ainda buscam esclarecer detalhes sobre a fuga da diarista e a venda dos objetos roubados, que totalizaram R$ 3,3 mil. Parte dos itens já foi recuperada pela polícia. A suspeita foi encaminhada ao Presídio José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves, onde permanece à disposição da Justiça.