O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, confirmou que a agência realizará inspeções em instalações nucleares do Irã como parte do acordo de paz preliminar assinado entre o país e os Estados Unidos. Em coletiva de imprensa no Japão, Grossi afirmou: "As inspeções realmente acontecerão. Estamos trabalhando nas modalidades - datas, procedimentos e locais - muito em breve."

O acordo, firmado na semana passada, destaca que a diluição do urânio enriquecido em alta concentração do Irã será supervisionada pela AIEA. Entretanto, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o acesso às instalações nucleares danificadas e ao material nuclear só será discutido dentro do contexto de um acordo final com os EUA.

Diplomacia em andamento

As declarações de Grossi ocorreram enquanto o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se reunia com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, antes de viajar para o Kuwait e Bahrein para discutir o acordo. Em Kuwait, Rubio afirmou que os EUA não concordarão com nada que comprometa a segurança de seus aliados na região, reafirmando a disposição do país para um acordo se o Irã estiver genuinamente interessado.

O preço do petróleo Brent caiu abaixo de US$ 75 pela primeira vez desde o início do conflito entre EUA e Israel contra o Irã. A ONU informou que alguns navios já passaram pelo Estreito de Ormuz como parte de um esquema para evacuar marinheiros presos pela guerra.

Desafios nas negociações

Recentemente, surgiram divergências entre os EUA e o Irã sobre a visita de inspetores da AIEA. Após conversas na Suíça, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, declarou que o Irã havia concordado em convidar os inspetores de volta. Contudo, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã negou que houvesse discussões detalhadas sobre o assunto.

Grossi ressaltou que, apesar das declarações políticas, um memorando de entendimento foi assinado por ambos os presidentes, que estipula que as atividades nucleares serão supervisionadas pela AIEA. "Isso vai acontecer", afirmou, enfatizando a necessidade de colaboração com o governo iraniano.