A China acusou a União Europeia e a França de criarem barreiras comerciais discriminatórias, alertando para possíveis represálias depois de o bloco ter imposto uma multa de 550 milhões de euros (US$ 628 milhões) ao AliExpress, do Alibaba Group . O Ministério do Comércio da China declarou na 4ª feira (22.jul.2026) estar “ fortemente insatisfeito” com a decisão da Comissão Europeia e exigiu que os reguladores europeus parem de abusar do poder discricionário. Criticou também uma lei francesa direcionada a varejistas de moda rápida, como Shein e Temu, descrevendo-a como uma medida discriminatória introduzida sob o pretexto de proteção ambiental.
A forte reação reflete o crescente atrito entre a China e a Europa, à medida que os reguladores de todo o bloco intensificam a supervisão das plataformas chinesas de comércio eletrônico transfronteiriço e das importações de baixo custo. A Comissão Europeia informou em 20 de julho que multou o AliExpress com base na Lei de Serviços Digitais, argumentando que a plataforma não avaliou e limitou suficientemente os riscos relacionados a produtos ilegais, inseguros ou falsificados. O AliExpress discordou da decisão e do valor da multa, dizendo que a sentença não levou em consideração integralmente sua estrutura de conformidade existente e as recentes melhorias.
A empresa afirmou estar analisando possíveis respostas. Pequim também criticou a legislação francesa aprovada em 29 de junho para conter a expansão da moda ultrarrápida. A medida impõe multas por item em têxteis produzidos em massa, podendo chegar a 10 euros até 2030, e proíbe a publicidade de marcas de fast-fashion, incluindo promoções com influenciadores.
O Ministério do Comércio da China afirmou estar monitorando de perto a implementação e que tomará as medidas necessárias caso os interesses das empresas chinesas sejam prejudicados. As plataformas chinesas de varejo on-line têm sofrido crescente pressão na Europa, com o escrutínio se estendendo além de penalidades individuais para mudanças regulatórias mais amplas. Em 1º de julho, a UE encerrou sua isenção de impostos para encomendas importadas com valor inferior a 150 euros, fechando um canal que permitia a entrada de grandes volumes de mercadorias de baixo custo no bloco com pouca resistência.
As autoridades europeias também intensificaram a fiscalização contra empresas individualmente. Em maio, a UE multou a Temu, da PDD Holdings, em 200 milhões de euros por não avaliar adequadamente os riscos associados a produtos não conformes em sua plataforma. Em junho, os reguladores franceses multaram a Shein em cerca de 22 milhões de euros por violações relacionadas a devoluções, informações sobre produtos e confirmação de pedidos.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 23 de julho de 2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
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