A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) esteve presente em audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em Washington, no dia 6 de março, com o objetivo de contestar a proposta de tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil.
A medida, proposta pelo governo de Donald Trump, está inserida no contexto das investigações da Seção 301, um mecanismo da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974 que permite a investigação e a imposição de sanções a países acusados de práticas comerciais consideradas injustas.
Defesa da competitividade do agro brasileiro
Durante o encontro, a diretora-adjunta de Relações Internacionais da CNA, Fernanda Maciel, destacou quatro pontos principais que a entidade buscou reforçar. Primeiro, a competitividade do agronegócio brasileiro é resultado da produtividade e não de desmatamento ilegal. Em segundo lugar, a CNA afirmou que o mercado brasileiro permanece aberto ao etanol dos Estados Unidos.
Além disso, a entidade argumentou que os acordos comerciais estabelecidos com o México e a Índia não prejudicam os exportadores norte-americanos e que a investigação atual não demonstrou danos ao comércio entre os dois países.
Fernanda Maciel também enfatizou que os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e que as cadeias de suprimentos de ambos os países estão interligadas. Segundo ela, a imposição de qualquer tarifa poderia afetar não apenas os produtores brasileiros, mas também as empresas e consumidores norte-americanos, resultando em aumento de custos e diminuição da competitividade.
Ambiente técnico e produtivo
Na audiência, estavam presentes representantes de diversas cadeias produtivas, como arroz, café, mel, pecuária e etanol, além de autoridades da indústria e do Itamaraty. Os participantes avaliaram que o clima da audiência foi mais técnico e produtivo em comparação ao ano anterior. Essa percepção é atribuída ao melhor preparo das equipes de ambos os países e à colaboração entre entidades brasileiras e norte-americanas na defesa dos produtos brasileiros diante da proposta de tarifa.
A CNA e os representantes do agronegócio consideraram a audiência uma oportunidade importante para apresentar seus argumentos e reforçar a relevância da parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos.
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