Estudo revela aumento de encontros agressivos
Pesquisadores estão compartilhando lições aprendidas com os ataques de coiotes no Parque Stanley, em Vancouver, entre 2020 e 2021, com o objetivo de ajudar as pessoas a conviverem melhor com a vida selvagem urbana. De acordo com um novo estudo publicado na revista Animal Behaviour, os coiotes vieram para ficar.
Nathan Lewis, candidato a doutorado em zoologia, e a Dra. Sarah Benson-Amram, professora associada nos departamentos de zoologia e ciências florestais e de conservação, discutiram como a população da América do Norte pode viver em harmonia com esses animais.
Aumento das interações durante a pandemia
Lewis explicou que o aumento de visitantes no parque durante os lockdowns da pandemia resultou em mais encontros com coiotes. Entre dezembro de 2020 e agosto de 2021, foram registrados 45 ataques de coiotes a humanos, que resultaram em mordidas ou arranhões, além de outros 63 encontros em que os coiotes avançaram ou ameaçaram as pessoas. Antes desse período, apenas um encontro agressivo havia sido reportado em quase uma década.
A presença de mais pessoas no parque contribuiu para a habituabilidade dos coiotes, que perderam o medo dos humanos e passaram a interagir mais frequentemente, muitas vezes de forma agressiva. A pesquisa também indicou que havia evidências anedóticas de que algumas pessoas estavam alimentando os coiotes, o que pode levar a um comportamento ousado e agressivo na busca por comida.
A importância da pesquisa para a convivência segura
A Dra. Benson-Amram destacou que ataques de coiotes são extremamente raros. Um estudo anterior registrou uma média de três ataques por ano entre 1960 e 2006 nos Estados Unidos e no Canadá, o que torna esses eventos difíceis de estudar. No entanto, a situação no Parque Stanley ofereceu uma oportunidade única para analisar os fatores que contribuem para esses encontros e como as pessoas podem se proteger no futuro.
A pesquisa revelou que ações como a matança de coiotes não resolvem permanentemente os conflitos entre humanos e coiotes. Esses animais são adaptáveis e se reproduzem rapidamente, o que mantém suas populações estáveis. O deslocamento de coiotes, além de ser ilegal em muitas regiões, costuma ter consequências negativas tanto para os animais quanto para os humanos nas áreas de realocação.
Os coiotes também desempenham um papel crucial na manutenção do equilíbrio ecológico. Portanto, aprender a coexistir com eles é a melhor abordagem.
Dicas para evitar conflitos com coiotes
Segundo Lewis, a maioria dos encontros com coiotes não é agressiva, mas a comunidade não deve esperar que os sinais de conflitos se tornem evidentes. Para evitar a habituabilidade e a alimentação condicionada, é essencial não alimentar os coiotes e não deixar lixo acessível.
Ele também aconselha a não se aproximar dos coiotes. Caso um coyote se aproxime, as pessoas devem tentar parecer grandes e ameaçadoras, agitando os braços, gritando ou usando um guarda-chuva. O exemplo de Kip, um coyote famoso na Universidade da Colúmbia Britânica, que foi alimentado por humanos e acabou sendo atropelado em 2024, ilustra os riscos da habituabilidade.
O estudo identificou que correr ou fazer jogging, estar sozinho, sair em horários de baixa atividade humana e estar próximo de locais de ninho aumentam ligeiramente a probabilidade de ataques em áreas com coiotes. Curiosamente, a idade e a presença de cães não estavam relacionadas à probabilidade de ataques.
Com essas informações, as pessoas podem tomar decisões mais informadas sobre como e quando desfrutar de atividades ao ar livre, promovendo uma convivência mais segura com a vida selvagem urbana.
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