Os Estados Unidos realizaram novos ataques aéreos contra o Irã na madrugada de quinta-feira, levando Teerã a disparar mísseis contra Bahrain, Qatar, Kuwait e Jordânia, países que abrigam forças norte-americanas, conforme relataram autoridades. As trocas de fogo comprometem um frágil cessar-fogo temporário que visa acabar com o conflito no Oriente Médio, com explosões também registradas próximas à usina nuclear iraniana.

Retaliação e consequências

Os ataques, que se intensificaram desde quarta-feira, incluem sirenes disparadas em pelo menos três ocasiões em Bahrain, onde está localizada a sede da 5ª Frota da Marinha dos EUA, além de mísseis lançados contra Kuwait e Qatar. Na Jordânia, onde tropas e aeronaves dos EUA estão posicionadas, sirenes também foram ativadas.

Um oficial iraniano acusou os EUA de realizar um ataque aéreo na área em torno da única usina nuclear do país, e outras explosões foram reportadas em diversas localidades iranianas durante a tarde. De acordo com o Ministério da Saúde do Irã, os ataques aéreos dos EUA nos últimos dois dias resultaram na morte de pelo menos 14 pessoas e deixaram 78 feridos, a maioria deles supostamente membros das forças armadas.

Reações e escalada do conflito

Em Kuwait, o ministério militar informou que destroços de mísseis derrubados feriram uma pessoa, enquanto três mísseis balísticos, um míssil de cruzeiro e 10 drones foram interceptados. Bahrain também declarou ter neutralizado ataques, embora sem fornecer mais detalhes, e o porta-voz do governo jordaniano, Mohammad al-Momani, afirmou que todos os disparos vindos do Irã foram interceptados. A televisão estatal iraniana afirmou que a Guarda Revolucionária do país disparou mísseis contra uma base dos EUA na Jordânia, mas não houve informações imediatas sobre danos em Qatar.

A Central Command das Forças Armadas dos EUA afirmou ter atingido 90 alvos no Irã, divulgando imagens de ataques que aparentavam atingir uma pista de aeroporto e lançadores de mísseis. Os EUA afirmaram que os ataques visavam “reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a liberdade de navegação” no estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto do petróleo e gás natural comercializados globalmente antes do início da guerra com os ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os recentes ataques iranianos a navios no estreito de Ormuz sinalizavam o fim do cessar-fogo e alertou que o conflito poderia se intensificar se as ações não cessem. Além disso, ele reafirmou suas ameaças anteriores de atacar a infraestrutura civil do Irã.

O porta-voz do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, se mostrou desafiador, afirmando que os EUA ainda não aprenderam que a intimidação e a quebra de promessas não são mais toleradas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, informou que conversou com seus homólogos saudita, turco e omani, além do chefe do exército do Paquistão, sugerindo que esforços para reduzir as tensões podem estar em curso.