O delegado Manoel Vanderic, responsável pelas Delegacias de Investigação de Crimes de Trânsito (DICT), Proteção à Pessoa com Deficiência (DEPD) e Especializada no Atendimento ao Idoso (DEAI) de Anápolis, divulgou publicamente seu diagnóstico de autismo em um vídeo no Instagram, neste domingo (05). Vanderic relatou que a descoberta ocorreu apenas aos 42 anos, após uma série de diagnósticos incorretos ao longo de sua vida.
Durante sua fala, o delegado detalhou as consequências que a condição trouxe para sua vida, culminando em uma tentativa de auto-extermínio no início de 2025, após um período de quase dois meses sem conseguir dormir. “Tomei quase todos os remédios que eu tinha”, revelou. Ele explicou que, ao perceber a gravidade da situação, contatou um amigo neuropsiquiatra, que prestou socorro na madrugada. “Se não fosse ele, eu não estaria aqui”, afirmou.
Desafios e Impactos na Vida Pessoal
Vanderic compartilhou que o autismo, em seu caso, está associado a problemas gástricos como gastrite, refluxo e dor abdominal, além de dores crônicas na coluna, decorrentes da ansiedade. Ele também enfrentou dificuldades com a interpretação emocional e problemas neurológicos e ortopédicos, resultando em lesões durante tentativas de praticar esportes.
Para ilustrar suas diferenças de percepção, o delegado utilizou analogias com sistemas operacionais, comparando a maioria das pessoas ao iOS e os autistas ao Android, enfatizando que a programação e a percepção do mundo são distintas. Ele destacou que, em sua experiência, a falta de um diagnóstico adequado pode levar a consequências sérias, como um aumento nas taxas de suicídio, que são nove vezes maiores do que na população geral, e uma expectativa de vida reduzida em 20 a 30 anos.
A Necessidade de Conscientização e Apoio
Vanderic também chamou a atenção para a escassez de profissionais qualificados na rede pública de saúde e o alto custo dos tratamentos na rede privada. Ele expressou preocupação com a exaustão enfrentada por mães de autistas, que muitas vezes se tornam as principais cuidadoras. Para exemplificar, mencionou um caso da DEAI envolvendo uma idosa chamada Neemisa, que cuidava de seu filho autista severo e acabou falecendo em casa, deixando seu filho desamparado.
“Isso revela o quanto o Poder Público é omisso em relação aos autistas e às mães”, defendeu Vanderic. Ao falar sobre a decisão de expor sua condição, o delegado afirmou que não se tratou de uma escolha, mas de uma necessidade para explicar seu comportamento e buscar respeito e ajuda.
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