A correta destinação de embalagens de defensivos agrícolas é um passo vital para a sustentabilidade no setor rural. Desde 2002, a logística reversa dessas embalagens é exigida por lei, visando prevenir a contaminação do solo e da água, assim como proteger a saúde de trabalhadores e animais.

A preparação para o uso de defensivos começa antes mesmo da aplicação. Em uma usina localizada em Novo Horizonte, São Paulo, é utilizado um sistema automatizado chamado 'Smart Calda', que calcula a quantidade exata de produto necessária para cada área da propriedade. O engenheiro agrônomo Vinícius Jacob Pires destaca que o planejamento é realizado antes da pulverização, gerando uma ordem de serviço que inclui detalhes como a dose por hectare e o volume do defensivo.

Processo de descarte e rastreabilidade

Após a aplicação, o processo de descarte das embalagens é iniciado. As embalagens passam pela tríplice lavagem, um procedimento que remove quase todos os resíduos. Em seguida, são perfuradas para evitar reutilização e armazenadas até serem enviadas a uma central de recebimento. Na usina mencionada, cerca de 2.500 embalagens são preparadas mensalmente para a destinação correta. Caminhões identificados realizam o transporte semanalmente até a central em Catanduva, onde todo o processo é registrado para garantir a rastreabilidade.

Rodrigo Pinheiro Facca, especialista ambiental, ressalta que há um controle rigoroso em todas as etapas, desde a compra do defensivo até o descarte final das embalagens. A documentação gerada inclui a quantidade de produtos enviados e um processo de dupla conferência que assegura um controle eficaz sobre o que foi adquirido e destinado.

Responsabilidade compartilhada na cadeia produtiva

A destinação adequada das embalagens está integrada ao Sistema Campo Limpo, um programa nacional de logística reversa que estabelece responsabilidades para todos os agentes da cadeia produtiva. Rafael Vitalino, gestor da central do InpEV, explica que os produtores devem devolver as embalagens, enquanto as revendas informam os locais de entrega no momento da venda. O poder público exerce a fiscalização, e os fabricantes são responsáveis pelo financiamento da operação.

Após a entrega nas centrais do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), as embalagens são triadas. O material reciclável é enviado para empresas parceiras, enquanto o que não pode ser reaproveitado é destinado à incineração adequada. Vitalino informa que atualmente cerca de 93% das embalagens recebidas são recicláveis, convertendo-se em novos produtos como embalagens de papelão e tubos de PVC.

Para muitos produtores, como o pecuarista Thomas Arias Rocco, o descarte correto é uma prática já incorporada à rotina. Mesmo arcando com os custos de transporte, ele acredita que o investimento é válido para fortalecer a imagem sustentável do agronegócio brasileiro. A legislação prevê multas que variam de R$ 384 a R$ 96 mil para aqueles que não realizam o descarte adequado.