Um bilhete danificado da Mega-Sena originou uma disputa judicial entre o proprietário de uma casa lotérica e uma ex-funcionária em Sinop, Mato Grosso. O prêmio em questão é de R$ 29 milhões, referente a uma das apostas vencedoras de um sorteio realizado em agosto de 2023.
A situação começou em 12 de agosto de 2023, após uma falha na impressão de uma aposta durante o atendimento a uma cliente. A ex-funcionária, Clarice Simon, registrou um novo jogo com os mesmos números e entregou o comprovante regular à cliente, que posteriormente recebeu sua parte do prêmio.
Naquele dia, às 13h05, câmeras de segurança capturaram Clarice guardando o bilhete danificado em um cofre desativado, utilizado como armário pelos funcionários. O sorteio daquele concurso distribuiu um total de R$ 116 milhões entre quatro ganhadores, um deles em Sinop.
Na segunda-feira, 14 de agosto, Clarice retornou à lotérica e, antes de começar seu turno, retirou o bilhete danificado para conferir o resultado com a colega de trabalho, Vani Porfírio. As imagens mostram que ambas confirmaram que o bilhete continha os números sorteados. Às 13h42, Clarice e seu marido, Cladecir Picoli, foram a uma agência da Caixa Econômica Federal, onde declararam que a aposta havia sido feita por Cladecir.
Implicações legais e bloqueio do prêmio
A Caixa Econômica Federal estabeleceu um prazo de 90 dias para a liberação do prêmio, mas abriu uma investigação devido às rasuras no bilhete. Antes do término desse prazo, em novembro de 2023, a Justiça determinou o bloqueio preventivo do montante após o proprietário da lotérica, Amélio Lenke, registrar uma queixa-crime por furto. Em setembro de 2025, Clarice e Cladecir foram formalmente acusados de furto qualificado.
A defesa de Clarice argumenta que ela arcou com o custo do bilhete danificado, alegando que a prática de desconto era comum na lotérica. Vani Porfírio, que cuidava da contabilidade, confirmou que Clarice pagou pelo bilhete. Já o advogado de Lenke sustenta que as normas operacionais proíbem a apropriação de qualquer bilhete com vício de impressão.
Posicionamento das autoridades e futuro do prêmio
A Caixa Econômica Federal não se pronunciou sobre o caso, afirmando que cumpre rigorosamente a legislação vigente e as ordens do Judiciário. O Ministério Público ofereceu denúncia criminal contra o casal, mas a promotoria afirmou que o prêmio não pertence formalmente a nenhum dos envolvidos, devido à acusação de furto.
O Tribunal de Justiça agendou para fevereiro de 2027 o início das audiências de instrução e julgamento que decidirão o destino dos R$ 29 milhões.
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