Empresas locais da Costa do Marfim estão ganhando terreno em mercados tradicionais, como combustíveis, finanças e cosméticos, onde multinacionais historicamente dominavam. Com um entendimento mais profundo do mercado e investimentos em produção, essas companhias estão se expandindo além das fronteiras do país.
Desafios no setor de combustíveis
A Petro Ivoire, que entrou no setor de petróleo em 1994, afirma ser a maior distribuidora de combustível local do país, ocupando a terceira posição geral atrás da TotalEnergies e Shell. O CEO da empresa, Sebastien Kadio-Morokro, destacou que a combinação de conhecimento local com padrões internacionais foi a chave para o sucesso. “Na década de 1990, o mercado era gerido exclusivamente por multinacionais. A ideia do meu pai, que fundou a empresa, era oferecer algo autêntico ao mercado local”, disse Kadio-Morokro.
Atualmente, a Petro Ivoire detém cerca de 15% do mercado de combustíveis da Costa do Marfim e tem se mostrado ágil em suas decisões em comparação com concorrentes internacionais. Desde 2007, a empresa também atua no mercado de gás butano e está investindo em infraestrutura de recarga para veículos elétricos.
Inovação no setor financeiro
No setor financeiro da África Ocidental, a Djamo tem desafiado as formas tradicionais de acesso a serviços bancários desde seu lançamento em 2020. Através de um aplicativo móvel, a empresa oferece contas, produtos de poupança e investimento, atendendo atualmente mais de dois milhões de clientes e 10.000 pequenas e médias empresas.
Hassan Bourgi, cofundador da Djamo, mencionou que um dos maiores desafios foi convencer investidores de que a África francófona poderia abrigar uma empresa de tecnologia em expansão. “Historicamente, os investimentos em tecnologia fluíam quase exclusivamente para quatro grandes centros: Nigéria, Quênia, África do Sul e Egito”, disse Bourgi. A Djamo procurou mudar essa percepção, demonstrando a estabilidade econômica da região e a força do franco CFA.
Crescimento na indústria de cosméticos
A Kaira Holding, fundada em 2009 por Fode Kaira Yatabare, exemplifica a trajetória de empreendedores locais. A empresa, que começou em um pequeno apartamento, agora exporta produtos de beleza e cuidados pessoais para 32 países. Yatabare acredita na manufatura local e na adição de valor como pilares de seu negócio. “Quando começamos, as limitações de capital eram enormes. Conseguimos juntar apenas quatro milhões de francos CFA para iniciar a produção de sabão”, explicou.
A Kaira Holding investiu em processos próprios de embalagem e impressão, reduzindo a dependência de insumos importados. Yatabare afirmou que a integração vertical permite que os custos de produção na África sejam competitivos em relação à China.
As experiências da Petro Ivoire, Djamo e Kaira Holding ilustram como algumas empresas africanas estão se destacando ao se manterem próximas dos consumidores e investirem em suas capacidades, sem, no entanto, desbancar a influência das multinacionais.
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