Uma equipe especial da polícia da África do Sul iniciou a investigação do assassinato de Andile Mvuyelwa Somgxada, líder provincial do grupo anti-imigrante March and March, que foi baleado em frente à sua casa, localizado a leste de Joanesburgo, no início deste mês. Somgxada faleceu alguns dias depois em um hospital.

De acordo com Sandile Dube, porta-voz do March and March, o crime foi uma retaliação direcionada ao ativista devido à campanha do grupo, que visa a expulsão de imigrantes sem documentos do país. Dube afirmou que outros líderes do movimento também têm recebido ameaças de morte recentemente.

Investigações em andamento

Dube descreveu o assassinato como um crime orquestrado, pedindo às autoridades que investiguem a fundo o caso e a intimidação enfrentada pela organização. O chefe de polícia interino, tenente-general Puleng Dimpane, anunciou a formação de uma equipe multidisciplinar para apurar o ocorrido, enfatizando a seriedade com que a polícia está tratando o caso. "Estamos comprometidos em realizar uma investigação minuciosa para estabelecer as circunstâncias em torno deste assassinato e garantir a responsabilização", afirmou Dimpane em uma declaração divulgada na terça-feira.

Xenofobia e protestos

A imigração, especialmente a migração irregular, tornou-se uma questão política controversa na África do Sul, onde manifestantes acusam imigrantes de sobrecarregar os serviços públicos e de estarem envolvidos em atividades criminosas. O March and March havia estabelecido um prazo não oficial de 30 de junho para que todos os migrantes sem documentos deixassem o país. Os protestos prometem continuar semanalmente até que suas demandas sejam atendidas.

Desde o início de uma campanha de "gestão de migração" há cinco semanas, o governo sul-africano informou que mais de 53 mil cidadãos estrangeiros foram deportados ou repatriados. A xenofobia é um problema crônico no país, que é a nação mais rica da África e historicamente atrai migrantes em busca de melhores oportunidades econômicas. Esta nova onda de manifestações tem sido marcada por violência, intimidação e saques.

Na terça-feira, cinco indivíduos foram detidos na província de Limpopo por supostamente se passarem por oficiais de imigração e exigirem ilegalmente que imigrantes deixassem o país. As investigações revelaram que um nacional nigeriano, legalmente presente na África do Sul, foi intimidado e forçado a fechar seu negócio pelos suspeitos.

A tenente-general Dimpane emitiu um aviso rigoroso àqueles que continuam a intimidar, assediar e perpetuar violência contra cidadãos estrangeiros. "A lei se aplica igualmente a todos", disse ela, ressaltando que nenhum indivíduo ou grupo tem autoridade para realizar inspeções de imigração ou remover pessoas de suas comunidades.

Quando questionado sobre o tratamento de estrangeiros por parte dos manifestantes anti-imigrantes, Dube reafirmou que o March and March rejeita qualquer forma de violência e de desrespeito à lei. Atualmente, existem mais de três milhões de estrangeiros documentados na África do Sul, de acordo com dados oficiais, sem contar aqueles que estão no país ilegalmente. Nos últimos dias, países como Gana, Quênia, Maláui, Nigéria e Uganda têm organizado voos ou ônibus para repatriar seus cidadãos. Na quarta-feira, o último voo organizado pelo governo nigeriano sob seu programa de repatriação voluntária chegou a Lagos, trazendo 306 passageiros. Com isso, mais de 1.200 nigerianos retornaram ao seu país por meio do programa.