Os Estados Unidos alcançam 250 anos de independência em 2026, consolidando-se como a maior potência econômica, militar e tecnológica do mundo. No entanto, a posição do país é diferente daquela que ocupava após o fim da União Soviética, conforme analisa Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF.
Brustolin considera que a Declaração de Independência de 1776 tem sido "relativamente bem-sucedida" ao longo dos anos. Ele ressalta que a Constituição americana, estabelecida em 1787, continua em vigor e seus princípios fundamentais resistiram a guerras, crises econômicas, transformações sociais e conflitos constitucionais.
Apesar da robustez histórica das instituições, o professor aponta que elas foram desafiadas recentemente. "O atual presidente já desafiou essa institucionalidade no primeiro mandato", comentou Brustolin, referindo-se à invasão do Capitólio em 2021. Nesse evento, Donald Trump enfrentou um julgamento sob a acusação de tentativa de insurreição, representando um desafio significativo à tradição democrática dos EUA.
Desafios internos e a luta pela igualdade
O analista também destacou que os ideais fundadores dos Estados Unidos, inspirados por John Locke e a noção de que "todos os homens são criados iguais", sempre foram contestados. "Esses princípios foram questionados por discriminação racial, pela escravidão e, mais recentemente, por desigualdade social", afirmou Brustolin.
Contestações externas e a nova ordem mundial
No cenário internacional, mesmo que os Estados Unidos ainda mantenham uma posição de liderança, Brustolin observa que a supremacia do país não é mais incontestável como era entre 1990 e o início dos anos 2000, após a queda da União Soviética. "A maioria dos analistas concorda que o poder dos Estados Unidos é atualmente contestado", disse.
Esse desafio é amplificado pelo crescimento da China, que, segundo Brustolin, introduz no cenário global o conceito de "armadilha de Tucídides". Este termo refere-se à dinâmica de rivalidade entre potências estabelecidas e emergentes, um tema que demanda aprofundamento nas discussões sobre o futuro da liderança americana nos próximos anos.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.