Os Estados Unidos realizaram ataques a pontes no Irã, enquanto o país persa retaliou com um ataque a uma usina de energia e dessalinização no Kuwait nesta sexta-feira, 17 de julho de 2026. Este intercâmbio de agressões marca uma nova escalada militar, ocorrendo após o fracasso do cessar-fogo assinado entre as duas nações em junho.

O conflito no mar e a segurança no Golfo Pérsico

No cenário marítimo, o conflito renovado interrompeu o abastecimento de energia proveniente do Golfo Pérsico. Fuzileiros navais dos EUA abordaram um petroleiro nas proximidades do Estreito de Ormuz, enquanto homens armados apreenderam outra embarcação ao largo do Iémen, levantando preocupações sobre a segurança em pontos críticos para o transporte de petróleo, como a foz do Mar Vermelho.

A agência de notícias iraniana Tasnim informou que a marinha da Guarda Revolucionária atacou um navio com bandeira tailandesa que tentava atravessar o Estreito de Ormuz, mas não forneceu mais detalhes sobre o incidente.

Escalada militar e repercussões políticas

Os EUA e o Irã têm testado os limites da escalada desde o colapso do cessar-fogo na semana passada, aumentando as chances de um conflito aberto similar ao vivido entre março e abril deste ano. Os preços do petróleo bruto Brent subiram 3% após os relatos de escalada, refletindo a pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, a poucos meses das eleições legislativas de novembro.

Trump indicou que poderia lançar ataques aéreos em grande escala contra a infraestrutura do Irã e não descartou a possibilidade de um ataque terrestre. Autoridades dos EUA afirmaram que os ataques no sul do Irã visam oferecer opções ao presidente.

O assessor do líder supremo do Irã, Mohsen Rezaei, alertou contra uma escalada por parte dos EUA, afirmando que se os ataques continuarem, o Irã poderá entrar em uma fase de operações ofensivas em grande escala.

Preocupações internacionais e ataques a civis

O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação com a escalada, especialmente em relação aos ataques à infraestrutura civil no Irã e na região. O Comando Central Militar dos EUA informou que seus alvos incluíam “infraestrutura logística militar”, com ataques ocorrendo pela sétima noite consecutiva.

Relatos indicam que pelo menos cinco pontes foram atingidas no sul do Irã, com sete mortes registradas em ataques a pontes no porto de Bandar Khamir. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o país não permitirá que o sangue dos civis seja derramado em vão.

O Irã também anunciou ataques a países do Golfo que abrigam bases aéreas dos EUA, e a Marinha iraniana disparou um míssil contra um navio americano no norte do Oceano Índico. Autoridades do Kuwait relataram que uma usina de energia e dessalinização foi danificada por um ataque iraniano.

Desde o falecimento do acordo provisório para encerrar a guerra, em 7 de julho, a situação se deteriorou rapidamente, com o Irã atacando navios no Estreito de Ormuz e os EUA respondendo com ataques aéreos, restabelecendo seu bloqueio aos portos iranianos.