A pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) que visa identificar diversos tipos de câncer antes mesmo das fases iniciais avançou para a fase de ensaio clínico, a última etapa antes da implementação em hospitais e laboratórios. O pesquisador Nelson Antoniosi destacou que "a ideia é isso se tornar rotina no SUS e o Brasil economizar bilhões com esse exame".
Nelson enfatiza a importância da detecção precoce do câncer, afirmando que "os médicos dizem que se você consegue detectar o câncer nos estadiamentos zero e um, consegue curar quase qualquer tipo de câncer e hoje a gente já consegue detectar no -2". Ele explica que as etapas -1 e -2 referem-se à disfunção das mitocôndrias, que começam a produzir substâncias diferentes, alterando a composição da cera de ouvido e possibilitando a identificação de anomalias antes que se tornem câncer.
A importância da detecção precoce
Com a identificação precoce, a viabilidade de cura aumenta significativamente. Nelson afirma que isso pode resultar em "uma economia muito grande e um conforto em processos de quimioterapia, que provavelmente o indivíduo nem chegue a ter que usar". Embora o método permita detectar a presença de câncer, será necessário realizar exames adicionais para localizar a doença, o que simplificará o tratamento.
O pesquisador compartilha uma experiência pessoal, onde o exame de cera de ouvido revelou um câncer em estágios iniciais em sua tireoide. Embora uma biópsia inicial tenha indicado um tumor benigno, a análise da cera de ouvido levou à descoberta de quatro pontos cancerígenos.
Origem da pesquisa
Nelson Antoniosi conta que a ideia de utilizar a cera de ouvido para diagnóstico surgiu de sua insatisfação com métodos diagnósticos tradicionais. Ele recorda um exame de gravidez que envolvia a injeção de urina em sapos, o que o fez refletir sobre alternativas menos invasivas.
Após concluir sua graduação em química, ele decidiu se tornar cientista e, durante seu doutorado, começou a explorar a cera de ouvido como uma matriz para diagnósticos. Embora inicialmente tenha se concentrado em diabetes, a pesquisa logo se expandiu para incluir câncer, após resultados positivos em testes com cães.
A pesquisa foi temporariamente interrompida, mas foi retomada com um novo aluno de mestrado, levando agora aos ensaios clínicos. Caso os resultados se confirmem, a pesquisa pode representar um avanço significativo no diagnóstico precoce de câncer.
O próximo passo será submeter o método aos órgãos reguladores, com a esperança de que, se aprovado, possa ser incorporado à prática clínica.
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