Os proprietários da plataforma de gás Jackdaw, localizada no Mar do Norte, afirmam que é "hiper crítico" que o governo do Reino Unido aprove a produção para evitar riscos de escassez de abastecimento doméstico neste inverno. Em entrevista à BBC News, Neil McCulloch, CEO da Adura, destacou que o projeto está em suas etapas finais e poderia atender a 6% das necessidades de gás do Reino Unido a partir de 1º de outubro.

A autoridade reguladora do setor está avaliando pedidos revisados para a produção em Jackdaw e no campo de petróleo Rosebank, a oeste das Shetland, após uma decisão judicial declarar que ambos haviam sido aprovados de forma ilegal. Ambientalistas argumentam que as ondas de calor recordes do último verão evidenciam a necessidade de combater as mudanças climáticas, o que inclui rejeitar esses projetos.

Preocupações com a segurança do abastecimento

McCulloch afirmou que, com apenas cerca de oito dias de armazenamento de gás, o Reino Unido teria opções limitadas em caso de "emergência de abastecimento de gás". Ele mencionou que isso poderia ocorrer devido a um longo período de clima calmo e nublado, que prejudicaria a geração de energia eólica e solar, ou por ameaças externas. A BBC News teve acesso exclusivo à Jackdaw, que está passando por verificações finais para estar pronta para produção, caso a aprovação governamental seja concedida.

O clima de "normalidade" no local é, segundo McCulloch, um tanto surreal, considerando a incerteza que envolve o projeto, que já custou cerca de £1,5 bilhões. Ele destacou: "Se eu fosse o secretário de Estado para segurança energética e zero líquido, estaria observando de perto onde está minha próxima fonte de segurança energética, e você está em cima disso".

Debate sobre mudanças climáticas e energia

Os ambientalistas argumentam que Jackdaw produzirá apenas 2% da demanda anual de gás do país durante a vida útil do campo. Tessa Khan, diretora executiva do grupo de campanha Uplift, afirmou que aprovar novos campos de petróleo e gás seria uma traição ao público britânico, especialmente em um momento em que muitos enfrentam dificuldades devido às ondas de calor recordes.

Em resposta, McCulloch defendeu que Jackdaw não deveria ser responsabilizada por essas questões climáticas, mencionando que sua contribuição seria uma fração mínima das emissões globais totais. Enquanto isso, Andy Burnham, que se prepara para uma possível candidatura ao cargo de primeiro-ministro, enfrenta pressão interna no Partido Trabalhista para permitir mais exploração de petróleo e estabilizar a tributação sobre investimentos e produção.

A situação é complexa, uma vez que a produção no Mar do Norte atingiu seu pico em 1999, e as previsões indicam que as políticas atuais podem resultar em cerca de 1.600 perdas de empregos offshore por ano na próxima década. O Instituto de Transição Energética da Universidade Robert Gordon alertou que a indústria de energias renováveis não está pronta para absorver todos esses empregos.