A estudante Estrela Guadalupe da Silva, de 20 anos, capturou no último domingo (28) um impressionante fenômeno de bioluminescência na Praia de Requenguela, em Icapuí, no litoral leste do Ceará. A cena, em que o mar parecia brilhar, ganhou destaque nas redes sociais após o vídeo viralizar.
Estrela, que reside em Icapuí, estava a caminho da casa de uma amiga quando decidiu gravar o momento. Segundo a estudante, o brilho já era visível há cerca de um mês, o que a motivou a compartilhar a gravação em seu perfil no Instagram, dedicado ao turismo na região.
"Gravei por gravar, postei, e acabou dando uma proporção grande. O pessoal ficou muito admirado com a questão dos microrganismos. Quando eu vi pela primeira vez, falei com os pescadores aqui da região. Tem um pessoal que tem um conhecimento mais antigo sobre o fenômeno, chamam até de 'fogo no mar'", contou Estrela ao g1.
O que causa o brilho no mar
O "fogo no mar", como é conhecido localmente, é gerado por organismos microscópicos, geralmente microalgas, que emitem luz ao serem estimulados fisicamente, seja pelo movimento das ondas ou pelo contato com objetos. Andréa de Oliveira da Rocha, pesquisadora do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará, explica que esse fenômeno ocorre em várias áreas da costa brasileira.
"Já tinha ouvido falar que acontecia em Icapuí nas áreas das salinas, porque um pescador nos contou. Mas a gente não tinha, até agora, nenhuma amostra da região. Esses organismos são unicelulares e, por isso, não podem ser vistos a olho nu. Mas eles devem estar em alta concentração na água para que ocorra uma quantidade de emissão de luz que possamos perceber", afirma a pesquisadora.
Embora os microrganismos encontrados na praia ainda não tenham sido analisados, em outros eventos de bioluminescência no Brasil, o fenômeno foi associado ao dinoflagelado Noctiluca scintillans. Casos semelhantes foram registrados em Florianópolis, Rio de Janeiro e Paraná.
A repercussão e os cuidados necessários
O brilho, que só pode ser observado à noite em locais escuros, não representa risco aos banhistas, segundo a pesquisadora. No entanto, ela recomenda cautela, já que a espécie presente em Icapuí ainda não foi identificada. "Eles emitem essa luz para atrair animais que vão se alimentar dos predadores deles", esclarece Andréa.
O fotógrafo Thiago Tavares, de 35 anos, também registrou o fenômeno. Nascido em Icapuí, ele relata que viu o brilho pela primeira vez em 2008 e se especializou em capturá-lo em suas fotografias. O impacto do vídeo de Estrela e das imagens de Thiago tem atraído um número crescente de turistas à região, que possui cerca de 20 mil habitantes, conforme dados do IBGE.
Apesar do aumento no fluxo de visitantes, os moradores locais, especialmente pescadores, expressam preocupações. Thiago destaca que a aglomeração pode interferir nas atividades de pesca: "É importante ter cuidado", conclui.
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