A Fifa está revisando os relatórios de partida para decidir se irá punir a seleção argentina, que celebrou sua vitória na semifinal da Copa do Mundo contra a Inglaterra segurando um banner que apoia as reivindicações do país sobre as Ilhas Malvinas.

Os atuais campeões mundiais realizaram uma virada dramática em Atlanta, marcando dois gols para vencer o time de Thomas Tuchel por 2 a 1, garantindo assim uma vaga na final contra a Espanha, que ocorrerá no próximo domingo.

Após o apito final, os jogadores argentinos levantaram um banner com a frase "Las Malvinas son Argentinas", que se traduz como "As Malvinas são argentinas". As Ilhas Malvinas, um território britânico ultramarino localizado no sudoeste do Oceano Atlântico, são alvo de uma disputa de soberania entre o Reino Unido e a Argentina.

Investigação e precedentes

Em um comunicado, um porta-voz da Fifa afirmou: "Como procedimento padrão, o comitê disciplinar independente da Fifa está atualmente avaliando os relatórios da partida e considerando as circunstâncias relevantes antes de decidir sobre possíveis próximos passos, com base no código disciplinar da Fifa."

Em 2014, a Associação de Futebol da Argentina foi multada em £20.000 pela Fifa por exibir um banner com a mesma mensagem durante um amistoso contra a Eslovênia. Na ocasião, a entidade máxima do futebol mundial declarou que o gesto infringiu regras sobre ação política e conduta inadequada da equipe.

O governo britânico manifestou apoio para que a Fifa investigue o ocorrido. O porta-voz oficial do primeiro-ministro declarou: "A Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as Ilhas Malvinas definitivamente são. Nosso compromisso com as Malvinas nunca vacilará."

Reações e implicações políticas

O presidente argentino, Javier Milei, considerou a ação dos jogadores "compreensível" e "válida", mas ressaltou que "as coisas que acontecem em campo não fazem parte da diplomacia". Ele enfatizou que "as Malvinas são argentinas, e vamos recuperá-las de forma diplomática, agindo de maneira inteligente".

A disputa pelas Malvinas remonta a 1982, quando a Argentina, sob uma junta militar liderada pelo general Leopoldo Galtieri, invadiu as ilhas, resultando em um conflito que durou 74 dias e causou a morte de 649 soldados argentinos e 255 britânicos, além de três habitantes das ilhas. Em 2013, os habitantes das Malvinas votaram em massa para permanecer como território britânico, com 1.513 votos a favor em um referendo que teve uma participação superior a 90%.

O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, pediu a suspensão dos jogadores argentinos que seguraram o banner para a final contra a Espanha, citando um precedente em que jogadores da Espanha foram punidos por expressões políticas durante as celebrações da Euro 2024.

A reação ao banner incluiu uma declaração do governo das Ilhas Malvinas, que expressou sua decepção e a esperança de que a Fifa "sanções todo comportamento dessa natureza de acordo com suas próprias regras". O secretário de Comércio e Indústria do Reino Unido, Peter Kyle, afirmou que é "essencial" que a política seja mantida fora da Copa do Mundo.