Moradores de Buenos Aires expressaram apoio à seleção argentina de futebol após jogadores exibirem um banner que afirma a soberania sobre as Ilhas Malvinas, durante a celebração pela vitória sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, realizada na quarta-feira.
Após a vitória por 2 a 1, alguns atletas seguraram um cartaz com a frase "Las Malvinas Son Argentinas". Uma fotografia da Reuters mostra o banner, que tinha aparência caseira, sendo inicialmente agitado por torcedores nas primeiras filas do estádio. Segundo o jornal argentino Clarin, o meio-campista Giovani Lo Celso se aproximou dos fãs e pediu para pegar o cartaz emprestado.
Imagens posteriores mostram Lo Celso segurando o banner ao lado do zagueiro Lisandro Martinez, enquanto os jogadores cantavam e comemoravam em direção aos seus torcedores. O cartaz foi posteriormente encontrado no gramado.
A posição da FIFA e reações britânicas
A FIFA possui um Código de Conduta que proíbe a exibição de "banners, bandeiras, panfletos, vestuário e outros itens de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória" dentro dos estádios. Até a quinta-feira, a entidade não havia anunciado nenhuma sanção pública e se recusou a comentar quando contatada pela Reuters. Casos semelhantes no passado resultaram em multas ou suspensões de jogadores.
O ministro britânico de Negócios, Peter Kyle, afirmou à BBC Radio que o incidente deve ser formalmente investigado, ressaltando a necessidade de separar política do evento esportivo. O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, enviou uma carta pública ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmando que a ação "insultou diretamente o povo das ilhas" e pedindo a desqualificação dos jogadores para a final de domingo.
Contexto histórico e apoio local
A questão da soberania sobre o território britânico ultramarino no Atlântico Sul, conhecido pelos britânicos como Falklands e pelos argentinos como Malvinas, tem sido um ponto de discórdia nas relações entre os dois países. Em 1982, ocorreu um breve conflito sobre as ilhas, resultando na morte de 649 soldados argentinos e 255 combatentes britânicos.
Nas proximidades de um monumento em homenagem aos mortos da guerra argentina em Buenos Aires, moradores entrevistados pela Reuters manifestaram apoio às ações da seleção. Martin Aguirre, de 30 anos, comentou: "Para mim, é muito importante que os jogadores, como figuras públicas, expressem sua opinião, especialmente sobre questões tão sensíveis para nós". Ele elogiou os gestos de Martinez e Lo Celso, afirmando que, apesar de potenciais sanções, eles levantaram a bandeira.
Federico Schenone, de 52 anos, considerou que a ação não era um gesto político, mas uma "questão de história e legitimidade". Embora não tenha se referido diretamente ao banner, o ícone Lionel Messi declarou após a partida: "Quando se joga uma partida dessa magnitude, muitas coisas entram em jogo. A história pesa em um jogo como esse."
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