A Fraternidade São Pio X (SSPX) foi oficialmente excluída da Igreja Católica pelo Vaticano nesta quinta-feira (2), após a ordenação de quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV. O ato, considerado um desafio à autoridade papal, levou à excomunhão automática dos bispos e à declaração de que os sacramentos celebrados pelo grupo são inválidos.

O que é a Fraternidade São Pio X?

Fundada na década de 1970, a SSPX representa uma das principais facções tradicionalistas dentro da Igreja Católica, que busca reverter as mudanças implementadas pelo Concílio Vaticano II. Os membros da fraternidade argumentam que as reformas desse concílio, ocorridas nos anos 60, distanciaram a Igreja de suas tradições. Entre as modificações contestadas estão a realização de missas em línguas vernáculas e a possibilidade de padres celebrarem voltados para os fiéis.

Filipe Domingues, analista do Vaticano e doutor em Ciências Sociais, explica que os tradicionalistas acreditam que as reformas foram influenciadas por uma agenda política e ideológica. Eles se veem como defensores da verdadeira fé e, portanto, consideram necessário desafiar a autoridade do papa para preservar suas crenças.

Desafio à autoridade papal

A excomunhão foi desencadeada por uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça, onde a Fraternidade ordenou quatro novos bispos, ignorando um apelo de Leão XIV para que a cerimônia fosse cancelada. No ato, os líderes da SSPX reconheciam que não possuíam a autorização papal, mas afirmaram que a ação era necessária para defender a fé verdadeira.

De acordo com Domingues, a ordenação sem a devida autorização configura uma grave violação das normas da Igreja, resultando em excomunhão automática. O Vaticano considerou o ato como um “ato cismático”, rompendo a comunhão com a Igreja. O papa havia solicitado a desistência da cerimônia em uma carta, alertando sobre as consequências da desobediência.

Consequências da excomunhão

A excomunhão, a punição mais severa prevista pelo Direito Canônico, não implica que os membros deixem de ser católicos, mas os impede de participar plenamente da vida da Igreja. O Vaticano declarou que os sacramentos celebrados pela SSPX, incluindo casamentos e confissões, são considerados inválidos. Isso significa que qualquer absolvição dada por um padre do grupo não é reconhecida pela Igreja Católica.

Domingues ressalta que a situação do grupo pode ser revista no futuro, já que a excomunhão é um convite à reconciliação. Historicamente, a relação entre a SSPX e o Vaticano já passou por tentativas de aproximação, como a revogação da excomunhão dos bispos em 2009 pelo papa Bento XVI, mas as divergências persistiram.