Uma investigação da BBC revelou detalhes sobre abusos em prisões controladas por forças russas na Ucrânia, identificando funcionários envolvidos em torturas e violência sexual. Liudmyla Huseinova, uma sobrevivente de 64 anos, narrou sua experiência aterrorizante após ser sequestrada em 2019 por membros de grupos separatistas apoiados pela Rússia.
Liudmyla descreve os três anos e 13 dias de sofrimento em um sistema de detenção que, segundo o Escritório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos (OHCHR), é caracterizado por tortura e maus-tratos sistemáticos. Ela afirma que entre os sequestradores estava Yurii Temerbek, um ex-policia de trânsito ucraniano que se juntou aos separatistas. A investigação da BBC conseguiu identificar Temerbek e outros dois homens acusados de abusos, destacando a impunidade que predomina nesse sistema.
Abusos e impunidade nas prisões
Os relatos de Liudmyla incluem agressões físicas, choques elétricos e violência sexual. Ela foi detida em Izolyatsia, um local infame por suas condições desumanas, onde os prisioneiros eram submetidos a torturas e humilhações. Liudmyla afirma que, ao chegar, foi cercada por homens que a agrediram verbalmente e fisicamente. Ela também recorda a presença de um homem conhecido como “Koval”, que a assediou sexualmente.
Ucrânia estima que mais de 16 mil civis tenham sido capturados ou desaparecidos desde o início da invasão em 2022, com casos que remontam à anexação da Crimeia em 2014. O governo ucraniano acusa Temerbek de colaborar com o Ministério da Segurança do Estado da República Popular de Donetsk, e já iniciou processos criminais contra ele.
Identificação de abusadores e busca por justiça
A investigação da BBC, em colaboração com especialistas ucranianos, reuniu informações de testemunhos de ex-detentos, postagens em redes sociais e documentos oficiais. Além de Temerbek, outro ex-guardião, Ruslan Yeriomichev, também foi identificado. Ele é acusado de crueldade contra prisioneiros e atualmente vive na região de Donetsk, na Ucrânia ocupada.
Liudmyla, que foi libertada em uma troca de prisioneiros em 2022, expressa sua determinação em ver os responsáveis pela tortura serem responsabilizados. Para ela, a revelação dos nomes dos agressores é um passo importante para a justiça. Atualmente, ela lidera uma organização que apoia outras mulheres que passaram por experiências semelhantes.
Enquanto isso, o Kremlin nega as acusações de tortura e abuso, alegando que as alegações feitas pelo OHCHR são infundadas. A situação permanece crítica, com a comunidade internacional observando atentamente as ações da Rússia e as condições dos detidos nas prisões.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.