O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, admitiu nesta quinta-feira (25) que houve falhas na comunicação da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deixou o mercado em dúvida sobre a trajetória da Selic. A instituição decidiu manter o ciclo de queda da taxa de juros, mesmo diante de uma piora nas perspectivas inflacionárias.

A ata da reunião do Copom, divulgada na última terça-feira (23), provocou reações negativas no mercado, ao indicar que os juros permaneceriam inalterados, o que foi interpretado como uma postura menos rigorosa no combate à inflação. Galípolo reconheceu que a responsabilidade pela interpretação equivocada do comunicado é dele: "A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que a gente queria em um espaço conciso, é absolutamente minha", afirmou.

O Banco Central justificou a decisão enfatizando que as melhores práticas recomendam evitar reações imediatas a choques de oferta, como eventos geopolíticos. Galípolo destacou que a comunicação do BC não deve ser confundida com a necessidade de gerar consenso entre os diversos setores do mercado.

Pressões sobre a política monetária

Durante uma entrevista sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, Galípolo abordou as pressões enfrentadas pelo BC, que incluem tanto a crítica ao elevado nível da Selic quanto a demanda por maior previsibilidade nas ações futuras da instituição. "É normal esse desejo por sinalizações do que o Banco Central fará no futuro, mas isso não é recomendado por outros bancos centrais devido ao ambiente de incerteza", explicou.

Ele reforçou que a antecipação de decisões pode comprometer a eficácia da política monetária, concluindo que o BC mantém o direito de decidir quando e como se comunicar com o mercado.